Presidente turco faz campanha para referendo e critica Europa

Recep Tayyip Erdogan usou uma data comemorativa da Primeira Guerra Mundial para reforçar a ampliação de seus poderes na Turquia

atualizado

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1 de 1 erdogan - Foto: Reprodução/Twitter

O presidente da Turquia transformou uma comemoração da campanha da Primeira Guerra Mundial em uma manifestação política neste sábado (18/3), criticando a Europa e declarando que um referendo constitucional a ser realizado no próximo mês sobre a ampliação de seus poderes vai fortalecerá o lugar da Turquia no mundo.

O presidente Recep Tayyip Erdogan apresentou sua visão em uma cerimônia em Canakkale, perto de onde os exércitos otomanos seguraram a força expedicionária aliada entre 1915-1916, um evento sangrento que ajuda a afirmar o nacionalismo na Turquia hoje.

Enquanto as unidades militares marchavam e artistas vestidos em estilo otomano batiam tambores e címbalos, Erdogan estava menos focado em feitos passados do que em suas atuais batalhas políticas, cujo resultado poderia garantir seu status como uma das figuras mais poderosas na Turquia desde a fundação do país, no colapso do Império Otomano, em 1923.

Os opositores do presidente democraticamente eleito veem o referendo de 16 de abril como parte de um caminho perigoso em direção a um governo autoritário, embora os apoiadores vejam o movimento como pilar da estabilidade e orgulho nacionalista, em uma região turbulenta que inclui a vizinha síria.

“Estamos oferecendo uma reforma histórica”, disse Erdogan, que defende que uma presidência executiva e a abolição do cargo de primeiro-ministro ajudará a Turquia a se desenvolver economicamente e lidar com os desafios de segurança.

Falando em Ancara, o principal líder da oposição turca, Kemal Kilicdaroglu, pediu aos turcos para votar “não” no referendo, dizendo que a aprovação minaria a democracia. Também na capital turca, a polícia deteve 11 membros de um pequeno grupo que se manifestavam contra o referendo.

Erdogan disse palavras duras sobre a Europa, onde alguns países, citando a preocupações com segurança, impediram os ministros do gabinete turco de fazer campanha pelo referendo. “Temos cerca de 3 milhões de eleitores vivendo no exterior”, disse Erdogan. Governos europeus “os impediram”, disse ele.

Autoridades holandesas se recusaram a permitir que os ministros turcos se dirigissem a cidadãos locais em manifestações, levando Erdogan a se referir a “restos nazistas” nos Países Baixos. Os líderes da União Europeia chamaram a observação de inaceitável.

A Turquia sugeriu que poderia tomar medidas de retaliação contra a Europa, saindo de um acordo de 2016 para conter o fluxo de refugiados para o continente, no qual a Turquia recebe de volta pessoas detectadas atravessando o mar Egeu por meio de navios da Grécia, UE e Otan.

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