México: rivais reconhecem derrota e felicitam eleição de López Obrador

Boca de urna indica que o candidato do Movimento de Regeneração Nacional (Morena) foi eleito com 43% a 49% dos votos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

MARCO UGARTE/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
México pode romper hegemonia no poder, com eventual vitória de esquerdista
1 de 1 México pode romper hegemonia no poder, com eventual vitória de esquerdista - Foto: MARCO UGARTE/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Os dois principais rivais de Andrés Manuel López Obrador nas eleições presidenciais do México admitiram a vitória do esquerdista nas eleições deste domingo (1º/7). Uma pesquisa de boca de urna indica que o candidato do Movimento de Regeneração Nacional (Morena) foi eleito com 43% a 49% dos votos.

Ricardo Anaya, do Partido da Ação Nacional (PAN), obteve entre 23% e 27%, enquanto José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), ficou com 22% a 26%, segundo o mesmo levantamento, feito pelo Instituto Mitofsky. Logo após a divulgação dos dados, Meade e Anaya reconheceram a vitória de López Obrador. O resultado do pleito deve ser conhecido nesta segunda-feira (2).

O partido do esquerdista Andrés Manuel López Obrador conquistou os governos da Cidade do México e dos estados de Chiapas, Morelos, Tabasco e Veracruz, ainda conforme as primeiras pesquisas após o fechamento das urnas. A administração de oito governos estaduais e da capital estava em disputa.

A Cidade do México deve ser governada por Claudia Sheinbaum, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), partido fundado por Obrador. Ela seria a primeira mulher a administrar a cidade, que há 21 anos está nas mãos do também esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), legenda pela qual Obrador disputou a eleição presidencial em 2006 e 2012 e perdeu.

O México teve neste domingo as maiores eleições de sua história. Ao todo, além do presidente, 128 senadores, 500 deputados federais, 972 deputados estaduais, 8 governadores, mais de 1.500 prefeitos e milhares de vereadores foram eleitos. Segundo o balanço final do Instituto Nacional Eleitoral (INE), 48 candidatos ou pré-candidatos foram assassinados, além de 145 políticos mortos. Quase um terço dos 17.662 candidatos abandonou a disputa, marcada pela violência.

Os partidos mexicanos tiveram de correr para substituir 5.703 candidatos, ou 31% do total, que desistiram da eleição em vários níveis. De acordo com as autoridades eleitorais, a maioria preferiu renunciar às candidaturas sem dar razões específicas. No entanto, quem se justificou alegou violência, insegurança e ameaças de morte.

Existem várias razões para o aumento sem precedentes na violência política. O processo eleitoral, que começou em setembro com as prévias, nunca havia sido tão longo: sete meses. Além disso, esta foi a primeira eleição após a reforma eleitoral de 2014, que permitiu candidaturas independentes e instituiu a reeleição de cargos legislativos e prefeituras.

Violência e impunidade
Segundo o cientista político José Fernández Santillán, especializado em temas eleitorais, a reforma transformou o velho Instituto Federal Eleitoral (IFE) em Instituto Nacional Eleitoral (INE). Na prática, o novo órgão assumiu as funções que antes eram exclusivas de autoridades locais. Com isso, o cenário eleitoral foi modificado, para unificar os processos estaduais e federais – muitos governadores tiveram o mandato encurtado.

“O pior da reforma, no entanto, foi mesmo ter tornado o processo eleitoral longo demais”, disse Santillán. “Foi uma tortura. E as vítimas fomos nós, cidadãos, que aturamos sete meses de inserções comerciais desde setembro, quando começou a pré-campanha.”

Carlos Flores Pérez, analista do Centro de Pesquisas e Estudos de Antropologia Social (Ciesas), é mais direto. De acordo com ele, a principal razão da violência é a impunidade. “Nunca se matou tanto político como agora porque as instituições mexicanas se deterioraram. A impunidade permite que os criminosos intensifiquem suas ações diante da certeza de que nada vai acontecer”, disse.

Foram cinco meses de pré-campanha, em que os candidatos disputavam vagas dentro dos partidos. Depois, foram mais 45 dias de intercampanha, para que as disputas internas fossem resolvidas antes de a campanha começar oficialmente.

O resultado foi que, nos últimos dez meses, os mexicanos foram submetidos a 60 milhões de inserções comerciais de rádio e TV. Para muitos analistas, o maior efeito da enxurrada de inserções comerciais, muitas delas repetitivas, é ter saturado os eleitores e aumentado a rejeição dos mexicanos à política e aos partidos.

Gastos
A eleição mexicana, além de ter sido marcada pela violência, também foi a mais cara. O governo estima que gastou US$ 1,2 bilhão para organizar o processo, entre pagamento de funcionários, impressão de cédulas e fundo partidário. Ao todo, os mais de 15 mil candidatos, segundo o INE, gastaram cerca de US$ 100 milhões, dos quais US$ 35 milhões foram consumidos na disputa presidencial.

Para o ONG Mexicanos Contra a Corrupção, esses números são apenas a ponta do iceberg. Segundo relatório elaborado por cientistas políticos e economistas, em maio, para cada peso gasto legalmente na campanha, outros 15 entraram de forma ilegal.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?