Evo Morales: “Bolívia e o mundo testemunham o golpe”

Após renunciar por pressão das Forças Armadas e da oposição, ex-presidente boliviano diz que opositores são culpados de onda de violência

Javier Mamani/Getty ImagesJavier Mamani/Getty Images

atualizado 11/11/2019 10:48

O ex-presidente boliviano Evo Morales, que renunciou ao cargo na noite desse domingo (10/11/2019), agradeceu o apoio recebido de bolivianos e de personalidades de todo o mundo. Ele observou que não aceitará a culpa pela onda de violência que assolou o país após o resultado das eleições vencidas por ele em primeiro turno.

“Muito grato à solidariedade do povo, irmãos da Bolívia e do mundo que se comunicam com recomendações, sugestões e expressões de reconhecimento que nos dão incentivo, força e energia. Eles me mudaram para me fazer chorar. Eles nunca me abandonaram; eu nunca vou abandoná-los”, disse Morales por meio de conta oficial no Twitter.

O ex-presidente, que deixou o cargo após pressão da oposição e das forças armadas bolivianas, relatou a onda de violência e a atribuiu aos que tomaram o poder.

“Os golpistas que invadiram minha casa e a casa de minha irmã, incendiaram casas, ameaçaram a morte de ministros e seus filhos e irritaram um prefeito, agora mentem e tentam nos culpar pelo caos e pela violência que causaram. Bolívia e o mundo testemunham o golpe”, disse o boliviano.

No poder desde 2006, Evo Morales era o presidente latino-americano há mais tempo no poder. Ele renunciou após uma escalada de tensão desde 20 de outubro, quando venceu as eleições sob acusações de fraudes. A Organização dos Estados Americanos (OEA), que fez uma auditoria no processo eleitoral, afirmou haver numerosas irregularidades no processo eleitoral.

Na manhã desse domingo (10/11/2019), Evo havia anunciado que convocaria novas eleições. Mas, no fim da tarde, menos de uma hora depois de perder o apoio das Forças Armadas, comunicou a renúncia.

“Eu me demiti do cargo de presidente para que não continuem perseguindo os líderes sociais. Não queremos confrontos”, afirmou Evo, ao dizer que pretendia, com o ato, a “pacificação” e a “volta da paz social” ao país.

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