Parlamento da Venezuela rejeita segundo mandato de Maduro

Presidente venezuelano toma posse em uma semana, mas Congresso, que assumiu as funções neste sábado, afirma que cadeira está sendo usurpada

Ansa Brasil

atualizado 06/01/2019 9:18

O Parlamento da Venezuela, controlado pela oposição, declarou neste sábado (5/1) que o novo mandato de Nicolás Maduro é ilegítimo e classificou o presidente de “usurpador”. A decisão é simbólica, porque o chavismo considera a Assembleia Constituinte, governista e formada após eleições realizadas em 2017, um órgão hierarquicamente superior ao Parlamento, eleito em 2016. As informações são do Estadão.

O novo governo terá início na próxima quinta-feira. Segundo o Parlamento, a partir desse dia a presidência será usurpada. “Reafirmamos a ilegitimidade de Nicolás Maduro. A partir de 10 de janeiro estará usurpando a Presidência e, consequentemente, esta Assembleia Nacional é a única representação legítima do povo”, disse o novo presidente do Legislativo, Juan Guaidó, após tomar posse do cargo.

O líder parlamentar também considerou a “cadeia de comando quebrada ou usurpada” nas Forças Armadas, a principal força de sustentação de Maduro e à qual, no entanto, ele pediu para apoiar os esforços para “restaurar a democracia” no país.

Diante da ampla bancada da oposição e de representantes do corpo diplomático, Guaidó também se comprometeu a “gerar as condições para um governo de transição e convocar eleições livres”. “A presidência não está desocupada, está sendo usurpada. Estamos na ditadura”, afirmou o deputado do Voluntad Popular, partido de Leopoldo López, em prisão domiciliar.

A Assembleia Nacional decidiu rotular Maduro de “usurpador” um dia depois de o Grupo de Lima, apoiado pelos Estados Unidos, ter pedido ao presidente que não tome posse e ceda poder ao Legislativo até que eleições livres sejam realizadas. “Estamos diante de um homem que roubou uma eleição. Teremos um usurpador. Não podemos reconhecer Maduro como presidente”, disse a deputada Delsa Solorzano.

Fraude e boicote
Maduro, de 56 anos, foi reeleito no dia 20 de maio em eleições antecipadas convocadas pela Assembleia Constituinte, órgão oficial de poder absoluto que na prática substituiu o Legislativo, única entidade controlada pela oposição. Denunciando uma “fraude” para perpetuar o governante socialista, os principais partidos da oposição boicotaram as eleições, embora suas principais figuras já estivessem inabilitadas ou presas.

A decisão do Parlamento de não reconhecer Maduro não terá efeito, porque suas decisões são derrubadas pelo Supremo Tribunal – alinhado ao chavismo.

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