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Mundo

Paris prioriza brasileiros em campanha para acolher melhor os turistas

A iniciativa menciona diretamente os turistas brasileiros, a nona nacionalidade que mais procura a França

17/06/2026 06:51
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Alexander Spatari/Getty Images
Torre Eiffel

Com o objetivo de melhorar o acolhimento aos cerca de 50 milhões de visitantes que vêm todos os anos a Paris e arredores, a administração regional apresentou nessa terça‑feira (16/6) a nova edição de sua campanha voltada a hotéis e estabelecimentos comerciais. A iniciativa menciona diretamente os turistas brasileiros, a nona nacionalidade que mais procura a França.

“Do you speak touriste?” (“Você fala turista?”) é o nome escolhido à iniciativa criada pela Câmara do Comércio e da Indústria e da agência “Choose Paris Region”, que chega à sua 13a edição. O guia fornece aos setores que recebem turistas dados sobre os países de origem dos visitantes, suas atividades preferidas e até seu orçamento.

Na cartilha que detalha características das principais nacionalidades que vêm à capital francesa, os brasileiros aparecem em nono lugar. Segundo dados fornecidos pelo guia, cerca de 628 mil visitantes chegam a Paris do Brasil todos os anos, com uma estadia média de 5,4 noites e com gastos de € 140 diários (cerca de R$ 828).

O documento também revela os principais centros de interesses dos brasileiros que vêm à capital francesa: museus e monumentos (95%), parques e jardins (55%) e gastronomia (48%).

Entre as características dos visitantes do Brasil estão as viagens organizadas em grupo, um maior tempo de estadia em Paris (atrás apenas dos chineses e canadenses, com uma estadia média de 5,6 e 5,7 noites, respectivamente) e a insatisfação com a limpeza e o preço dos museus frequentados.

Franceses ocupam topo da lista

Os turistas locais são os que mais vêm à Paris e arredores: 26 milhões de pessoas por ano, seguidos dos americanos (2,7 milhões), britânicos (2,5 milhões), italianos e alemães (1,5 milhão) e espanhóis (1,4 milhão). Da América Latina, apenas o Brasil é citado na campanha. Entre os turistas de fora da Europa evocados, também se destacam os chineses (700 mil), canadenses (536 mil), japoneses (404 mil) e australianos (382 mil).

A campanha também retoma, entre outros pontos, as percepções dos turistas após os Jogos Olímpicos de 2024, mencionando “fortes expectativas quanto à clareza das informações, à confiabilidade, às ligações entre aeroportos e cidade e à simplicidade dos trajetos”, especialmente no que diz respeito aos transportes. Também cita uma cidade “percebida” como ameaçada pela padronização, pela superlotação e por problemas de limpeza.

A iniciativa tem o objetivo de dinamizar e capacitar os setores e empresas que trabalham com turismo, disse Gérald Barbier, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Paris, durante uma coletiva de imprensa nesta terça‑feira (16/6).

“Conhecer melhor seus clientes turistas significa atendê‑los melhor, fidelizá‑los, contribuir ativamente para a imagem do destino e, no fim das contas, estimular o consumo turístico e, portanto, a atividade econômica e o emprego”, destacou.

Segundo ele, a recepção aos turistas ainda encontra falhas em Paris, apesar de a França ser o primeiro destino turístico no mundo. “Um comerciante deve ser acolhedor, mas ainda encontramos pessoas que não seguem perfeitamente as regras de atendimento”, reiterou Barbier.

Céline Dion em Paris

Para Baptiste Orlandini, diretor‑geral da agência “Choose Paris Region”, uma experiência turística positiva depende da precisão. “É um bom conselho, uma informação clara, uma solução encontrada rapidamente”, avalia.

Entre as próximas atrações com potencial de aumentar ainda mais a quantidade de turistas na capital francesa, Orlandini cita os shows da cantora canadense Céline Dion, previstos para setembro e outubro.

“Já estamos contabilizando as centenas de milhões de euros em impactos econômicos diretos — com hotéis, restaurantes, transportes e, claro, compras. Esses eventos são, para nós, verdadeiros motores econômicos”, afirma.

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