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Embaixada da França em Brasília celebra 50 anos com visita guiada
Nessa quarta-feira (28/1), a embaixada da França celebrou 50 anos da fundação do edíficio em Brasília com uma visita guiada exclusiva
atualizado
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Na tarde desta quarta-feira (28/1), a Embaixada da França abriu as portas de seu emblemático edifício e da residência oficial do embaixador, Emmanuel Lenain — no cargo desde 2023 — para uma visita guiada inédita. A iniciativa integra as comemorações pelos 50 anos da fundação da sede diplomática em Brasília, celebrada nesta quinta-feira (29/1).
A visita, conduzida pelo arquiteto Matheus Tokarnia, reuniu convidados ilustres para conhecerem os detalhes da estrutura majestosa do conjunto localizado na Asa Sul, com a proposta de fazer um mergulho arquitetônico, histórico e cultural pelos espaços da representação francesa no Brasil.
“Nada aqui é casual, tudo foi e é pensado para entrelaçar diplomacia, arte e acolhimento”, destacou o arquiteto.
Segundo Matheus, a construção da Embaixada da França em Brasília está intimamente ligada à transferência da capital brasileira do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Assim que foi estabelecida a nova capital federal, os países foram convidados a enviar um projeto de residência para estabelecer as suas relações diplomáticas.
Quatro anos depois da implementação do novo centro administrativo, político e geográfico do país, em 1964, o arquiteto franco-suíço Le Corbusier, um dos principais nomes da arquitetura moderna, apresentou uma proposta para erguer o edíficio da embaixada francesa.

“O projeto original foi interrompido por conta da instabilidade política e da morte acidental do arquiteto. A retomada só veio nos anos 1970, com o governo brasileiro reforçando o desejo de consolidar a presença diplomática”, explicou Tokarnia.
Embora não tenha assinado o projeto final, o projeto de Le Corbusier foi tocado por um de seus discípulos, o arquiteto chileno Guillermo Jullian de la Fuente. “O resultado foi uma obra que guarda fortes vínculos conceituais do arquiteto franco-suíço. Pilotis, fachadas livres, janelas horizontais e o uso inteligente da luz natural são apenas alguns dos elementos que ecoam os postulados de Corbusier”, detalhou.
Na embaixada, cada espaço carrega um significado
A visita guiada à embaixada da França teve ínicio pelo edifício principal, que abriga setores de chancelaria e áreas equivalentes a ministérios, como Educação e Fazenda, além do consulado. Um verdadeiro “país em miniatura”, como descreve o corpo diplomático.
Logo na entrada, a estrutura exposta e marcada do edíficio chamaram a atenção dos visitantes. Segundo Matheus, essa característica é entendida como a “verdade estrutural”.
“Apesar de esse concreto parecer mais duro ou cru, ele acaba criando contrastes interessantes com os detalhes da decoração, como obras de arte, mobiliário, tapetes e cores. Isso faz com que os elementos decorativos ganhem ainda mais destaque e trazem harmonia ao ambiente”, constata Matheus.
Quem esteve presente não pôde deixar de notar a similaridade dos prédios da embaixada com a arquitetura da própria capital. “Para quem nasce ou vive em Brasília, a conexão é imediata. A arquitetura lembra muito os prédios da Asa Norte, da Asa Sul. Isso tem tudo a ver com a influência do modernismo francês. A relação entre Oscar Niemeyer e Le Corbusier é central para entender essa estética”, pontua.
A presença da vegetação também é outro elemento marcante da fundação. “É algo muito evidente tanto na residência quanto no edifício da embaixada. Isso se relaciona com a climatização dos espaços, a entrada de luz natural, a ventilação cruzada e, claro, com o conforto visual. Olhar pelas janelas e estar sempre cercado pelo verde traz uma sensação de aconchego — em certos momentos, até esquecemos que estamos no meio de uma cidade”, evidencia o arquiteto.
Residência do embaixador
Além do edifício da chancelaria, os convidados tiveram acesso exclusivo à residência oficial, espaço que combina funcionalidade diplomática com traços de vida pessoal do embaixador Emmanuel Lenain.

Na casa, mais uma vez, nada é por acaso. Todos os móveis e elementos decorativos foram criados sob medida pelo renomado designer Michel Boyer, que esteve em Brasília com uma comitiva de 30 artistas franceses para a execução do projeto.
“Cadeiras, sofás, lustres e até o layout de salas, como a biblioteca e o jardim de inverno, seguem uma lógica de funcionalidade e elegância”, garante Matheus Tokarnia.


Em meio aos objetos minunciosamente selecionados para a embaixada da França, como a tapeçaria assinada por Le Corbusier logo na entrada da residência e as luminárias inspiradas em Brasília, de Michel Boyer, quadros em preto e branco expostos na ante-sala “guardam” uma paixão do embaixador da França no Brasil: a fotografia.

“Essas são as únicas peças pessoais que trouxe para cá. Eu gosto muito de fotografia e essas em particular fizeram parte de uma exposição que realizei no Museu Nacional de Calcutá, na Índia”, confidenciou o embaixador Emmanuel Lenain em entrevista à coluna Claudia Meireles.
A cozinha, assim como em tantas casas brasileiras, tem papel central na residência. Sob comando do chef francês Benoît Lionet, os visitantes puderam conhecer como e onde são preparadas o cardápio diario da equipe diplomática.
“Um detalhe curioso é que os ingredientes dos jantares servidos na casa são majoritariamente brasileiros — à exceção dos vinhos, que seguem sendo franceses”, revelou Tokarnia.

Coquetel de boas-vindas
Para encerrar o tour pela embaixada da França, o embaixador recepcionou os presentes para um delicioso coquetel de boas-vindas. Na ocasião, o dirigente destacou a alegria de receber visitante em “sua casa” e de manter uma relação amigável e duradoura com o Brasil.

“Abrir as portas da Embaixada tem um significado especial. No dia 29 de janeiro, este lugar completa 50 anos de existência. Meio século de história vivida nesta cidade e nesta casa, que representam um capítulo essencial dos 200 anos de relações diplomáticas entre a França e o Brasil”, comemorou Emmanuel Lenain.
Para marcar a data, Emmanuel Lenain providenciou um cardápio que uniu a gastrônomia das nações amigas, com direito a choux à la crème, tartar de manga com tapioca e biscoito da Bretanha com caramelo salgado. Para brindar, o clássico champagne.
Confira quem esteve presente na celebração dos 50 anos de fundação da embaixada da França:
















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