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O Papa Francisco disse, neste sábado (9/6), a um grupo de executivos da indústria do petróleo que a transição para fontes de energia menos poluentes “é um desafio de proporções épicas” e alertou: para satisfazer as necessidades globais de energia “não é preciso destruir a civilização”.

Segundo o Vaticano, a conferência de dois dias com executivos de petroleiras foi concebida para ser uma continuação da encíclica publicada pelo Papa três anos atrás, quando ele pediu por uma ação para salvar o planeta dos danos provocados pelas mudanças climáticas e de outros males que atingem o meio ambiente.

Entre os participantes do encontro estavam os CEOs das gigantes ENI, British Petroleum, ExxonMobil e da norueguesa Statoil, além de cientistas e gestores de grandes fundos de investimento. As declarações de Francisco no primeiro dia da conferência, realizada a portas fechadas, não foram divulgadas pelo Vaticano.

Francisco elogiou os executivos por terem incorporado uma avaliação dos riscos das mudanças climáticas em suas estratégias de planejamento. O Papa também os alertou para que mantenham sua “busca contínua por reservas de combustíveis fósseis”, dois anos depois do Acordo do Clima de Paris, “mas mantenham a maior parte no subsolo”. “A civilização requer energia, mas ela não precisa destruir a civilização”, afirmou.

Antes da conferência, especialistas do setor de energia e os defensores do combate às mudanças climáticas questionaram se o encontro não seria apenas mais uma oportunidade de relações públicas para as companhias, que não fariam mudanças significativas.

Em suas declarações, o Papa disse esperar que o encontro traga aos participantes a oportunidade de “reexaminar velhas concepções e olhar novas perspectivas”.