Países prometem retaliação contra tarifaço anunciado por Trump

União Europeia e China já mostraram oposição às tarifas de exportação anunciadas pelo governo dos Estados Unidos

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Thierry Monasse/ Imagens Getty
bandeiras da União Europeia tremulam ao vento em frente ao Berlaymont, a sede da Comissão da União Europeia
1 de 1 bandeiras da União Europeia tremulam ao vento em frente ao Berlaymont, a sede da Comissão da União Europeia - Foto: Thierry Monasse/ Imagens Getty

A União Europeia está “pronta para uma guerra comercial” com os Estados Unidos em resposta às novas tarifas de Donald Trump, afirmou a porta-voz do governo francês nesta quinta-feira (3/4).

A China afirmou que “se opõe firmemente” às novas tarifas de 34% dos EUA sobre suas exportações, prometendo “contramedidas” para proteger seus direitos e interesses. O Brasil, cujos produtos serão taxados em 10%, aprovou um projeto para uma lei de reciprocidade.

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou nessa quarta-feira (2/4), por unanimidade, um projeto que concede ao governo federal ferramentas para responder às barreiras comerciais. Batizada como Lei da Reciprocidade, a medida recebeu o apoio de todos os partidos da Câmara, após passar pelo aval do Senado na terça-feira.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou no X que as novas taxas americanas de 10% para o seu país podem ser “um grande erro”.

A taxação imposta por Donald Trump de 15% a produtos importados da Venezuela e a de 25% a países que comprarem petróleo ou gás do país caribenho entrou em vigor nesta quarta.

O reflexo imediato foi percebido na cotação local da moeda norte-americana. O dólar paralelo marcou mais de 33 pontos de diferença do câmbio do Banco Central da Venezuela. A brecha assusta os venezuelanos, que temem uma nova onda de empobrecimento no país.

A China afirmou que “se opõe de modo veemente” às novas tarifas americanas e anunciou “contramedidas para proteger” seus direitos e interesses.

O Ministério do Comércio de Pequim pediu a Washington que “cancele imediatamente” as novas medidas, que, afirma, “colocam em perigo o desenvolvimento econômico mundial” e afetarão os interesses americanos e a cadeia internacional de suprimentos.

Europa lamenta

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as tarifas constituem um “duro golpe à economia mundial”. Também declarou que o bloco está “preparado para responder”, embora tenha assegurado que “não é tarde demais” para abrir negociações com Washington.

A indústria automobilística alemã alertou que os impostos americanos “só criarão perdedores”. “A União Europeia deve agir agora unida e com a força necessária, enquanto continua sinalizando sua disposição de negociar”, expressou a Associação Alemã da Indústria Automotiva.

“A introdução de tarifas à União Europeia é uma medida que considero ruim e que não convém a nenhuma parte”, declarou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em redes sociais. “Farei tudo o que puder para trabalhar por um acordo com os Estados Unidos, a fim de evitar uma guerra comercial que, inevitavelmente, enfraquecerá o Ocidente, em benefício de outros atores globais.”

Ásia duramente afetada

“Transmiti que as medidas tarifárias unilaterais [24% para produtos japoneses] adotadas pelos Estados Unidos são extremamente lamentáveis e pedi, novamente, (a Washington) para não aplicá-las ao Japão”, declarou o ministro japonês do Comércio, Yoji Muto.

O governo taiwanês “considerou que a decisão (americana) é muito pouco razoável e lamenta profundamente, e iniciará negociações sérias com os Estados Unidos”, disse a porta-voz do gabinete, Michelle Lee, ao comentar as tarifas de 32% sobre as exportações da ilha. A tarifa não inclui os semicondutores, um dos principais produtos exportados por Taiwan.

A primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, afirmou que seu governo tem um “plano forte” para responder às tarifas de 36% impostas por Trump às exportações de seu país.

Já produtos oriundos de Bangladesh serão taxados em 37%, segundo o tarifaço de Trump. Representantes da indústria têxtil do segundo maior fabricante de roupas do mundo, que responde por cerca de 80% das exportações da nação do Sul da Ásia, disseram que o novo imposto representa um “golpe massivo”.

“Os compradores vão para outros mercados com custo mais competitivo – isso vai ser um golpe duro para a nossa indústria”, disse Rakibul Alam Chowdhury, presidente do RDM Group, um grande fabricante com um faturamento estimado de US$ 25 milhões. “Nós vamos perder compradores.”

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