Número de crianças fora da escola pode chegar a 278 milhões em 2026

Redução drástica no financiamento global pode forçar 6 milhões de menores de 18 anos abandonarem os estudos

atualizado

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Russell Watkins/Department for International Development
Síria crianças refugiados unicef
1 de 1 Síria crianças refugiados unicef - Foto: Russell Watkins/Department for International Development

Mais de 6 milhões de crianças poderão estar fora da escola até o final de 2026 por causa dos cortes drásticos no financiamento global da educação, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Em um levantamento divulgado nesta quarta-feira, a agência alertou que cerca de um terço dessas crianças precisará de ajuda humanitária.

“Educação serve como tábua de salvação”

A Assistência Oficial ao Desenvolvimento para a educação deverá cair US$ 3,2 bilhões, uma queda de 24% em relação a 2023, com apenas três governos doadores respondendo por quase 80% dos cortes.

Esse declínio elevaria o número de crianças fora da escola em todo o mundo de 272 milhões para 278 milhões. Isso equivaleria a esvaziar todas as escolas primárias da Alemanha e da Itália juntas.

A diretora executiva do Unicef afirmou que “cada dólar cortado na educação não é apenas uma decisão orçamentária, é o futuro de uma criança em jogo”.

Catherine Russell disse que a educação, especialmente em emergências, muitas vezes serve como uma tábua de salvação, conectando crianças a serviços essenciais como saúde, proteção e nutrição.

Orçamento do ensino primário pode cair em um terço

De acordo com a análise, a África Ocidental e Central enfrenta o impacto mais acentuado, com 1,9 milhão de crianças correndo risco de ficar fora da sala de aula.

Já o Oriente Médio e o Norte da África podem ver um aumento de 1,4 milhão de menores sem acesso aos estudos.

A análise constata que 28 países devem perder pelo menos um quarto da assistência educacional da qual dependem para o ensino pré-escolar, fundamental e médio.

Entre eles, Côte D’Ivoire e Mali enfrentam alguns dos maiores riscos, com potencial queda de 4% nas matrículas, o equivalente a 340 mil e 180 mil alunos, respectivamente.

Espera-se que o ensino primário seja o mais afetado em todo o mundo, com o financiamento previsto para cair em um terço.

Crianças vulneráveis e tráfico

Em contextos humanitários, onde a educação vai além do aprendizado, oferecendo apoio vital, estabilidade e uma sensação de normalidade para crianças traumatizadas, o financiamento pode cair drasticamente.

Em alguns casos, reduções representam o equivalente a pelo menos 10% do orçamento nacional para a educação. Por exemplo, nos projetos do Unicef voltados para os refugiados Rohingya, 350 mil crianças correm o risco de perder o acesso à educação básica permanentemente.

Sem financiamento urgente, os centros educacionais podem fechar, deixando as crianças vulneráveis ​​à exploração, ao trabalho infantil e ao tráfico.

Alimentação escolar sob risco

Em serviços essenciais, como programas de alimentação escolar, às vezes, a única refeição nutritiva do dia para uma criança, podem ter seu financiamento reduzido em mais da metade.

O apoio à educação de meninas também deve diminuir significativamente.

O Unicef pede que os países doadores e parceiros tomem uma atitude para defender o ensino.

Algumas medidas propostas no relatório são proteger o financiamento da educação humanitária, simplificar a arquitetura de financiamento global e concentrar esforços no ensino infantil e fundamental.

Leia mais reportagens como esta em ONU News, parceiro do Metrópoles.

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