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Mundo

Nobel da Paz, Navi Pillay atuou na defesa de Mandela e se opôs ao apartheid

Sul-africana Navi Pillay teve atuação contra o apartheid e ocupou cargos importantes na Justiça internacional.

09/10/2026 07:07, atualizado 09/10/2026 07:55
Fatih Erel/Anadolu Agency/Getty Images
Navi Pillay usa uma blusa laranja e óculos, ela está sentada com o fundo da ONU

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9/10). Um dos destaques de sua carreira foi o trabalho jurídico em defesa de Nelson Mandela e de outros ativistas que combateram o apartheid, regime de segregação racial que vigorou oficialmente na África do Sul entre 1948 e o início da década de 90. Veja o vídeo:

Ao receber a notícia, Pillay brincou com a situação e disse que se fosse um pouco mais aplaudida “talvez dividiria o prêmio com Trump”. Segundo ela, “como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade”, disse a jurista questionando se o prêmio era real.

“Acho muito apropriado estar aqui com amigos e colegas, pessoas que apoiam os direitos humanos. A última coisa que fiz foi apresentar o relatório sobre Gaza, no qual afirmamos que o que está acontecendo lá é genocídio. Uma das principais reações a esse trabalho foi o reconhecimento da minha coragem. E vocês podem imaginar o quanto fiquei surpresa. Por que seria preciso coragem para dizer a verdade? Você interpreta a lei, analisa todos os fatos. É uma tomada de decisão imparcial”, afirmou ela.

“Neste momento, continuo atuando como juíza ad hoc no caso movido pela Gâmbia contra Mianmar. Todo mundo me pergunta quando vou parar, quando vou encerrar meu trabalho. Acabei de completar 85 anos no mês passado. É claro que não posso simplesmente interromper meu trabalho em apoio à Academia dos Princípios de Nuremberg, enquanto ainda tiver condições de contribuir”, reforçou a Nobel da Paz.

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Sua trajetória é marcada pela defesa dos direitos humanos, pelo combate à impunidade e pela atuação em processos internacionais relacionados a crimes de guerra e genocídio.

  • A atuação de Pillay ocorreu em um período em que a população negra enfrentava discriminação institucionalizada, restrições de direitos políticos e violência estatal.
  • Mandela, principal símbolo da resistência ao regime, passou 27 anos preso até ser libertado, em 1990.
  • Em 1993, Mandela dividiu o Nobel da Paz com Frederik de Klerk, então presidente sul-africano, pelos esforços para encerrar pacificamente o apartheid e estabelecer as bases de uma democracia no país.

Luta contra violência sexual em conflitos armados

Nascida em 1941, na província sul-africana de Natal, Navi Pillay pertence à comunidade tâmil, de origem indiana. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia em sua província. Durante os anos de apartheid, defendeu ativistas contrários ao regime e denunciou casos de tortura e violações de direitos de pessoas presas.

Com o fim do regime segregacionista, sua carreira ganhou dimensão internacional. Em 1995, foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, órgão criado para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994. Pillay presidiu o tribunal entre 1999 e 2003 e teve participação importante em decisões históricas sobre violência sexual em conflitos armados.

Em 2003, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional. Anos depois, entre 2008 e 2014, exerceu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, contribuindo para a defesa de direitos fundamentais em diferentes partes do mundo.

Defesa dos direitos humanos

Ao anunciar a premiação, o Comitê Norueguês do Nobel destacou a contribuição de Pillay para a promoção da paz e do direito internacional, ressaltando sua atuação na responsabilização de autoridades e na defesa de vítimas de violência e conflitos.

Mais recentemente, ela presidiu uma comissão de investigação da Organização das Nações Unidas sobre os territórios palestinos ocupados. Em relatório divulgado em 2025, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou as conclusões.

A trajetória de Navi Pillay conecta diferentes momentos da luta por justiça: da resistência ao apartheid na África do Sul à atuação em tribunais e organismos internacionais. O Nobel da Paz reconhece esse percurso e reforça a importância das instituições jurídicas na responsabilização por violações de direitos humanos.