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Mundo

Narges Mohammadi, Nobel da Paz: "Continuamos a erguer nossas vozes"

Antes de vencer o Nobel da Paz este ano, a ativista iraniana Narges Mohammadi escreveu artigo para o New York Times

06/10/2023 10:32, atualizado 06/10/2023 14:20
Instagram/Reprodução
Imagem colorida mostra Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz - Metrópoles

A ativista iraniana Narges Mohammadi, de 51 anos, foi oficializada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano. Em setembro, ela havia redigido um artigo ao The New York Times, no qual afirma: “Quanto mais nos prendem, mais forte ficamos”. Atualmente, ela está encarcerada na prisão de Evin, em Teerã, no Irã.

Ela é conhecida principalmente por sua luta em prol dos direitos das mulheres no Irã, após a prisão e morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, por “uso incorreto” da indumentária.

Narges Mohammadi está alocada em uma prisão conhecida por abrigar presos políticos desde a Revolução Islâmica. Ela foi presa em Evin por três vezes, conforme ela mesma descreve no artigo de opinião no NY Times.

A ativista ainda denunciou agressões sexuais e físicas às mulheres do presídio Evin. “Apesar disso, continuamos a erguer nossas vozes”, destaca. “Nós somos abastecidas pela nossa vontade de sobreviver, dentro ou fora da prisão. O governo violento e essa repressão brutal podem manter as pessoas longe das ruas, mas nossa luta continuará até o dia em que a luz perseverar contra a escuridão, e o Sol da liberdade abraçar o povo iraniano”, conclui.

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Narges Mohammadi fala do dia a dia na prisão

No artigo, Mohammadi descreveu seu dia a dia no cárcere, e disse que ela e outras prisioneiras viram na televisão a morte da menina Amini. “Foi há um ano atrás, em um sábado, que ela morreu sob a custódia da polícia da moralidade no Irã, sob a alegação de não vestir propriamente o hijab. E sua morte provocou uma revolução imediata, que se espalhou, liderada por mulheres, e que abalou o país”, escreveu.

“Nós estávamos repletas de luto e raiva. Usamos nossos telefones para coletar informações. À noite, fazíamos reuniões para trocar informações sobre as notícias que ouvimos. Estávamos presas por dentro, mas fazíamos o que podíamos para levantar nossas vozes contra o regime”, descreve a ativista. “Então, [após parte de Evin pegar fogo] nós entoamos ‘Morte à República do Islã'”, completou.

O artigo ainda descreve que centenas de pessoas foram presas meses após os protestos pela morte da menina Amini. “Estive presa três vezes em Evin, desde 2012, e nunca vi tantas admissões aos protestos das mulheres como nos últimos meses”, revela. “O que o governo não entende é que, quanto mais nos prendem, mais forte ficamos”, ressalta.