Mundo vive fim de semana decisivo com ameaças de Trump contra o Irã
De acordo com o presidente Donald Trump, EUA pode atacar o Irã nos próximos dias caso o país não aceite um novo acordo nuclear
atualizado
Compartilhar notícia

Transportando cerca de 90 aeronaves, incluindo caças F-35 e F-18 e jatos de guerra eletrônica EA-18G, o porta-aviões USS Abraham Lincoln foi deslocado pelos Estados Unidos ao Oriente Médio no início de janeiro. A mobilização ocorre em meio à escalada de tensão com o Irã e à possibilidade de um ataque norte-americano nos próximos dias.
Acordo nuclear
- EUA e Irã firmaram um acordo nuclear em 2015, durante a administração do ex-presidente Barack Obama. Outros países como Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia também participaram das negociações.
- Na época, o governo iraniano concordou em reduzir suas reservas de urânio enriquecido em troca do alívio de sanções econômicas internacionais.
- Ao assumir a presidência dos EUA pela primeira vez, Trump passou a criticar o pacto nuclear, e decidiu abandonar o acordo unilateralmente em 2018.
- Um dos objetivos declarados do segundo mandato de Trump é impedir que o Irã construa uma arma nuclear.
- Apesar das acusações internacionais, uma decisão religiosa — também conhecida como fatwa — emitida pelo aiatolá Ali Khamenei no início dos anos 2000 proíbem que o país desenvolva uma arma nuclear.
O poderio militar dos EUA na região, a mando do presidente Donald Trump, com foco no Irã — mobilização semelhante a de outras ações dos EUA no Oriente Médio, como a invasão do Iraque em 2003, segundo a imprensa norte-americana.
Nas últimas semanas, prazos para um possível ataque norte-americano contra o território iraniano tem surgido não só na mídia do país, como também diretamente de Trump.
Durante a primeira reunião do Conselho da Paz em Washington, na última quinta-feira (19/2), o presidente dos EUA afirmou que o mundo conhecerá o destino do Irã nos próximos 10 dias. No evento, o líder norte-americano sinalizou que um possível ataque contra o país pode acontecer neste período de tempo, caso as discussões sobre o programa nuclear iraniano não avancem.
Já a mídia norte-americana trabalha com datas mais próximas, e cita a possibilidade de uma ação militar dos EUA contra o território iraniano já neste final de semana.
Negociações fracassadas
Iniciadas em abril do último ano, as negociações indiretas entre Washington e Teerã visam firmar um acordo com foco em limitar o programa nuclear iraniano. As conversas por vias diplomáticas, contudo, falharam após impasses e o início da guerra de 12 dias entre Irã e Israel, que também contou com a participação direta dos EUA.
Mesmo com o governo iraniano enfraquecido após ter instalações nucleares do país bombardeadas e dos recentes protestos contra a administração do aiatolá Ali Khamenei, o atual cenário não é diferente do enfrentado por negociadores meses atrás.
Um dos principais impasses nas negociações continua sendo o enriquecimento de urânio por parte do Irã. Na visão dos EUA, qualquer tipo de acordo deve incluir compromissos do lado iraniano sobre interromper o método utilizado para elevar a matéria-prima de armas atômicas aos níveis necessários para o uso militar.
Estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apontam que o país persa possuí cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60%. Nível próximo ao de 90%, suficiente para a construção de armas de destruição em massa.
Enquanto isso, autoridades iranianas têm defendido que enriquecer urânio é um direito legítimo do país, que diz utilizar o material para fins pacíficos, como outras nações o fazem.
Genebra, na Suíça, foi o palco da última rodada de negociações. Elas foram vistas por Teerã como “positivas”, segundo o chanceler do país, Abbas Araghchi. Em declarações após as conversas, o ministro das Relações Exteriores do Irã revelou que negociadores dos EUA solicitaram uma “minuta” do que pode vir a ser o possível acordo nuclear.
Mesmo assim, o clima de tensão não diminuiu, assim como a retórica agressiva entre os dois países.
Até o momento, ainda não está claro como a possível ação militar dos EUA contra o Irã pode acontecer, nem quais alvos podem ser atingidos. A expectativa, contudo, é de que um novo ataque seja maior do que o realizado em junho de 2025, quando três instalações nucleares iranianas, incluindo centros de enriquecimento de urânio, foram atingidas por bombardeiros B-2 norte-americanos.
Em uma carta enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo do aiatolá Ali Khamenei afirmou que, caso o país persa volte a ser alvo de ações militares dos EUA, bases militares norte-americanas no Oriente Médio serão “alvos legítimos”.
