Missas e Via-Sacra: a programação do Vaticano até o Domingo de Páscoa
Nos próximos dias a Igreja Católica promove uma de suas maiores celebrações com agenda cheia de compromissos
atualizado
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A celebração da Semana Santa é um dos ritos mais importantes da Igreja Católica. Anualmente, o Vaticano entrega uma intensa agenda de missas e vigílias para relembrar o sofrimento de Jesus Cristo e comemorar sua ressurreição e mensagem de amor.
Confira abaixo todas as celebrações oficiais que serão presididas pelo papa Leão XIV neste ano:
Quinta-feira Santa (2/4)
- Missa Crismal, na Basílica de São Pedro, às 9h30
Leão XIV presidirá a Missa Crismal, concelebrada com mais de mil outros membros da Igreja, entre patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e sacerdotes (diocesanos e religiosos) presentes em Roma. A Celebração Eucarística será precedida pela oração da Terça, que começa às 9h.
A missa marca a consagração dos santos óleos (crisma, enfermos e catecúmenos — utilizados nos batizados), que serão usados na administração de sacramentos durante o ano, e a renovação das promessas sacerdotais do clero romano, também chamada de “Missa da Unidade”. Trata-se de uma preparação para o Tríduo Pascal, celebrando o sacerdócio de Cristo e a missão da Igreja.
- Missa da Noite “Ceia Do Senhor”, na Capela Papal da Basílica de São João de Latrão, às 17h30
A celebração ocorre logo após o encerramento da Quaresma e inaugura o Tríduo Pascal ao comemorar e reproduzir a Última Ceia, onde Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio. Nela, há a tradicional cerimônia de lava-pés, onde o próprio papa, em um gesto de humildade e amor, a exemplo de Cristo, lava os pés de alguns presentes.
Normalmente, a missa é celebrada em locais como hospitais ou centros de acolhimento. Neste ano, o local escolhido foi a Basílica de São João de Latrão, que é considerada, segundo a tradição, como “Mater et caput omnium ecclesiarum” (“Mãe de todas as Igrejas do mundo”). Ela é a mais antiga e a mais importante entre as seis basílicas papais do mundo, sendo a mais antiga igreja do Ocidente.
Sexta-Feira Santa (3/4)
- Celebração da Paixão do Senhor, Basílica de São Pedro, às 17h
A liturgia, sem Eucaristia, é dividida em Liturgia da Palavra, Adoração da Santa Cruz e Sagrada Comunhão. Destaca-se pelo silêncio do papa diante do altar, adoração da cruz, leituras da Paixão (João) e oração universal, simbolizando recolhimento e o amor salvífico de Deus.
Segundo o Vaticano, não se trata de um dia de luto, mas de contemplação da dor de Cristo e sua entrega, simbolizando a vitória do amor sobre o pecado, o que é explanado principalmente na Homilia.
- Via Crucis, Coliseu, às 21h15
Leão XIV presidirá o “piedoso exercício da ‘Via Crucis’” no famoso Coliseu, maior anfiteatro do mundo e mais conhecido pelas lutas de gladiadores nos séculos iniciais após o nascimento de Cristo. A Paixão de Cristo é encenada no local desde o século XVIII.
Além de presidir o rito simbólico, que recordará o caminho de Jesus até o Gólgota, ou Calvário (colina fora dos muros de Jerusalém onde Jesus Cristo foi crucificado), o próprio pontífice, que celebrará sua primeira Via Sacra, levará a Cruz em cada uma das 14 estações.
O padre Francesco Patton, que foi custódio da Terra Santa até o ano passado, escreveu as meditações que serão lidas durante o caminho a ser percorrido pelo papa. Os textos ficarão disponíveis na manhã de sexta-feira, por volta do meio-dia (horário local), no site do Vaticano. Ao final da Paixão de Cristo, o Santo Padre concederá a Bênção Apostólica.
Sábado Santo (4/4) e Domingo de Páscoa (5/4)
- Vigília Pascal na Noite Santa, Basílica de São Pedro, às 21h de sábado
Segundo a Santa Sé, essa é a celebração mais importante e solene da Igreja Católica. A vigília acontece na transição entre o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa, marcando a vitória de Jesus sobre a morte e o pecado.
No rito, o papa abençoa o fogo novo gerado no átrio da Basílica e acende o Círio Pascal, uma vela de cerca de um metro de altura e 10cm de espessura, que representa o Cristo Ressuscitado. Nele, estão entalhados uma cruz, as letras gregas alpha e ômega (simbolizando que Jesus é o começo e o fim de tudo), o ano atual e cinco cravos de incenso (que simbolizam as cinco chagas).
Depois a chama é partilhada entre os fiéis e, geralmente, o papa faz batismos. A luz do Círio permanece acesa até 50º dia após o domingo de Páscoa, que é o Domingo de Pentecostes, que marca a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. Em 2026, Pentecostes será celebrado em 24 de maio.
- Missa do Dia, capela Papal, Praça de São Pedro, às 10h15 de domingo

O papa preside a missa do alto da tradicional sacada da Basílica de São Pedro, que vislumbra toda a praça central. O local é decorado com milhares de flores e a missa começa com uma procissão e aspersão com água benta.
Depois vem a Liturgia da Palavra, com cantos pascais, leitura dos Atos dos Apóstolos e o Evangelho. O papa faz a homilia com sua mensagem de Páscoa e depois concede a Bênção “Urbi et Orbi” (à cidade de Roma e ao mundo), quando geralmente em seu discurso ele menciona conflitos mundiais e pede pela paz.
