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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua conta pessoal no Twitter neste sábado (14/4) para agradecer aos aliados Reino Unido e França e exaltar o poderio militar após ataque conjunto contra a Síria na noite dessa sexta (13).

Em um dos tweets, ele escreve: “Um ataque executado com perfeição na noite passada. Obrigado à França e ao Reino Unido por sua sabedoria e o poder de seu Exército. Não poderíamos ter tido um resultado melhor. Missão cumprida!”

A medida foi uma retaliação ao uso de armas químicas em ataque ocorrido na Síria há pouco mais de uma semana. Em outro tweet, o presidente se diz orgulhoso da força militar americana.

“Estou tão orgulhoso do nosso grande Exército, que logo será, após o uso de bilhões de dólares já aprovados, o melhor Exército que já tivemos. Não haverá nenhum outro que chegue nem perto”, escreveu o líder norte-americano.

HASSAN AMMAR/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

 

Bombardeio
Damasco, a capital da Síria, foi abalada por explosões que iluminaram os céus na noite dessa sexta (13), minutos após Donald Trump anunciar ataques aéreos alegando o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad. Além dos EUA, a ação teve apoio do Reino Unido e da França.

Depois do bombardeio, o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, afirmou por meio de comunicado que o ataque americano contra bases sírias “não ficará sem consequências”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) marcou para este sábado (14) uma reunião de emergência do seu Conselho de Segurança, responsável pela paz e segurança internacionais. O pedido do encontro foi feito pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Foram atingidos, segundo a coalizão, quatro alvos descritos como locais de “capacidades químicas”: um centro de pesquisa científica em Damasco; uma instalação de armazenamento de armas químicas, localizada a oeste de Homs; um armazém de equipamentos de armas químicas; e um posto de comando.

O general Josefh Dunford, presidente do Joint Chiefs – um comitê de assessoramento do Pentágono –, garantiu que os alvos atingidos e destruídos estavam especificamente associados ao programa de armas químicas do regime sírio. “Também selecionamos alvos que minimizariam o risco para civis inocentes”, disse.

O bombardeio ocorreu uma semana depois de ONGs da Síria relatarem um ataque químico a civis na cidade de Douma, reduto rebelde próximo de Damasco, que dizimou dezenas de pessoas.

Veja vídeo divulgado no twitter:

“Um tiro só”
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, afirmou que os ataques aéreos contra a Síria foram pontuais. “Neste momento, foi um tiro só”, afirmou em coletiva de imprensa no Pentágono. “Por ora, não temos novas ações planejadas”, finalizou.

De acordo com Mattis, a investida dessa sexta é mais intensa do que a de 7 de abril de 2017, quando os EUA lançaram dezenas de mísseis contra o regime de Assad em resposta a um ataque químico que deixou 80 mortos. Conforme pontuou o general Joseph Dunford, o ataque durou menos de uma hora. Segundo a rede CNN, foram utilizados na ação militar bombardeiros B-1, invisíveis ao radar.

O secretário de Defesa destacou ainda que “não houve relato de dano” entre as forças dos EUA e dos aliados.

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Cerca de uma hora antes, o presidente americano, Donald Trump, ressaltou que os ataques ocorreriam “até que o regime sírio deixasse de utilizar armas químicas contra civis”. “Sustentaremos esta ação tanto quanto for necessário”, assinalou.

Em seu comunicado, feito logo após ordenar o ataque, Trump deu um ultimato à Russia, para que o país retire o apoio prestado até agora ao governo sírio. O anúncio foi divulgado no Twitter oficial da Casa Branca. Assista:

Apoio
O gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou por meio de nota que a França atacou o território sírio em parceria com os Estados Unidos e o Reino Unido. Conforme esclareceu Macron, os bombardeios na Síria visam “arsenais de armas químicas do regime [de Bashar Assad]”.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, também ratificou os ataques e disse não se tratar de uma tentativa de mudar o regime sírio. “Trata-se de um ataque limitado e direcionado que não agrava ainda mais as tensões na região e que faz todo o possível para evitar mortes de civis”, disse, em comunicado.

A TV estatal síria comunicou que as defesas aéreas do país reagiram ao ataque norte-americano. O Sistema de Defesa Sírio informou ter derrubado 13 mísseis.

Poder de fogo
Mísseis foram lançados por navios militares norte-americanos sobre a capital do país, Damasco. De acordo com agências internacionais, a defesa antiaérea do país resistiu, mas ao menos seis explosões foram ouvidas.

Segundo ressaltou a Casa Branca, a reação dos EUA é apenas uma mensagem dura contra o uso de armas químicas, pelo governo sírio, o que não será tolerado. Os destróieres USS Donald Cook e USS Porter estavam carregados com cerca de duas dúzias de mísseis Tomahawk cada: o primeiro foi posicionado na costa do país na terça (10).

Rússia reage
O embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, advertiu que o ataque norte-americano contra bases sírias “não ficará sem consequências”.

“Nossos avisos não foram ouvidos”, escreveu. “Novamente, estamos sendo ameaçados. Nós avisamos que tais ações não ficarão sem consequências”. Antonov disse que “toda a responsabilidade” pelas ações seguintes aos ataques será de Washington, Londres e Paris. “Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível”, pontuou.

Os Estados Unidos – o detentor do maior arsenal de armas químicas do mundo – não têm direito moral para culpar outros países"
Embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov

Risco à paz
O governo de Bashar Assad já havia recebido ameaças por parte de potências ocidentais, lideradas pelos EUA, após suposto ataque químico executado contra Duma, durante o último fim de semana. Tanto a Síria quanto a Rússia negam a ação. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 500 pessoas foram atingidas por agentes químicos na região de Ghouta Oriental.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou sobre o retorno da Guerra Fria – marcada pelo conflito entre Estados Unidos e Rússia – e denunciou que a situação na Síria representa, agora, o maior perigo para a paz e a segurança internacionais. (Com informações das agências Estado e Brasil)