Minnesota abrirá investigação própria sobre morte de mulher pelo ICE
A decisão da investigação em paralelo veio a partir do bloqueio do FBI às autoridades do estado no inquérito da morte de Renee Nicole Good
atualizado
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Um dia após o Departamento de Investigação de Minnesota, nos Estados Unidos, afirmar que o FBI excluiu o órgão das investigações acerca do assassinato de Renee Nicole Good por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega americano), os principais promotores do estado decidiram que vão fazer sua própria investigação.
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A procuradora do Condado de Hennepin, Mary Moriarty, e o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, anunciaram a revisão. “Quero deixar isso bem claro: não se trata de preocupações com a investigação do FBI”, disse Moriarty. “Com base em experiências anteriores com os processos do FBI, estamos preocupados com o fato de que as provas obtidas em uma investigação conduzida exclusivamente em nível federal não sejam compartilhadas com nosso escritório para análise,” afirmou em coletiva de imprensa.
“Sem dúvida, existem questões legais complexas quando um agente da lei federal está envolvido, mas a lei é clara: temos jurisdição”, disse Moriarty. “No entanto, não podemos tomar nenhuma decisão se não houver provas apresentadas ao nosso escritório.”
Questionado se o FBI deveria compartilhar esses materiais com autoridades estaduais, o presidente Donald Trump disse nessa sexta-feira (9/1): “Normalmente eu compartilharia, mas eles são corruptos”, segundo o The Washington Post.
O FBI revogou o acesso ao processo, às evidências da cena do crime (como o carro de Renee) e aos depoimentos de testemunhas. O bloqueio causou estranheza, já que o estado e o governo federal americano trabalharam juntos na investigação da morte de George Floyd, que também foi morto por policiais em Minneapolis, em 2020.
O assassinato
Renee morreu na última quarta-feira (7/1), na cidade de Mineápolis. Ela dirigia um carro SUV quando foi abordada por agentes do ICE, que tentavam abrir a porta do veículo. Em seguida, o automóvel se move, tiros são disparados, o carro avança e acaba colidindo com um poste. A americana tinha 37 anos, era poeta, escritora, guitarrista, mãe e morava em Mineápolis com a companheira.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), Good foi morta após supostamente tentar atropelar agentes durante a operação. O órgão afirmou que um agente disparou “em legítima defesa”. A mulher foi baleada na cabeça.
Segundo algumas lideranças da região, Renee Good estava no local em que foi baleada sendo uma observadora legal, uma espécie de voluntária que acompanha e monitora as ações policiais com o objetivo de evitar atitudes indevidas das autoridades. Apesar disso, segundo sua mãe, Renee não era uma ativista. “Ela não fazia parte de nada”, disse ela a um jornal.
Mais de mil protestos contra o ICE são esperados em todo o país neste fim de semana, de acordo com o grupo Indivisible, um dos organizadores dos atos.
