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Minérios estratégicos impulsionam nova “Guerra Fria” entre EUA e China

EUA e China disputam minérios estratégicos. Controle de terras raras redefine poder global e intensifica nova Guerra Fria econômica

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A corrida pelo domínio de minérios estratégicos está redefinindo o embate entre Estados Unidos e China e reacendendo uma espécie de nova “Guerra Fria” geopolítica e econômica. A disputa pelo controle de insumos essenciais para a tecnologia do futuro — como terras raras, lítio e níquel — tem impacto direto em setores estratégicos, como a indústria de chips, baterias, energias renováveis e defesa.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, segue na missão de reduzir a dependência no governo chinês em minérios essenciais para tecnologia e defesa. A disputa por terras raras na Groenlândia, Canadá e Ucrânia revive tensões geopolíticas e redefine o equilíbrio global.

“O domínio e a influência na cadeia produtiva desses recursos tornaram-se chave. Mais que acesso a matérias-primas, está em disputa a soberania tecnológica e o poder global via controle dos insumos”, explica Julian Henrique Dias, advogado internacional.

Recentemente, Trump, voltou a sugerir a anexação de territórios ricos nesses recursos, como Groenlândia e Canadá, além de reforçar o interesse na exploração mineral da Ucrânia. Esses movimentos evidenciam a importância crescente do controle sobre cadeias produtivas estratégicas.

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Presidente da República Popular da China, Xi Jinping
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Tensões entre China e EUA aumentam com ameaça de "guerra comercial"
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Tensões entre China e EUA aumentam com ameaça de "guerra comercial"
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Tensões entre China e EUA aumentam com ameaça de "guerra comercial"

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“O que a gente pode observar é uma disputa que se assemelha a uma Guerra Fria moderna, com uma forte ênfase na influência geopolítica e no controle de tecnologias essenciais, como baterias, chips, armamentos e energias renováveis”, explica Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

O interesse dos EUA na Groenlândia, Canadá e Ucrânia

Na mira de Donald Trump, e sob ameaça de sua retórica agressiva, Canadá, Groenlândia e Ucrânia têm algo em comum. O trio se encontra entre os dez países com as maiores reservas dos chamados metais de terras raras.

A Groenlândia, território independente ligado à Dinamarca, abriga vastas reservas de urânio e terras raras ainda inexploradas, além de bilhões de dólares em petróleo. Sua posição geográfica também confere vantagem militar e estratégica aos EUA, ao permitir controle sobre rotas marítimas do Ártico, onde a China já vem expandindo sua presença.

Nesta semana, Trump retornou a entoar fortes declarações sobre seu desejo de “tomar” o território da Groenlândia, administrado pela Dinamarca. Em entrevista, o norte-americano afirmou: “Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela. Devemos tê-la. Odeio dizer isso assim, mas vamos ter que tomar posse deste imenso território ártico”.

O Canadá, tradicional aliado dos Estados Unidos, possui grandes reservas de níquel, cobalto e petróleo, recursos fundamentais para a transição energética e a indústria de defesa. Já a Ucrânia, além de estar no centro da guerra com a Rússia, é um dos maiores detentores de lítio e titânio da Europa, tornando-se peça-chave na corrida por insumos tecnológicos.

Um dos pontos-chave para que o norte-americano continue como intermediador da proposta de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia é que Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, assine um acordo minerais ucranianos.

China segue avançando

Enquanto os EUA buscam novos parceiros e estratégias para garantir acesso a esses recursos, a China segue como principal produtora e processadora de terras raras no mundo. O país asiático investe fortemente em cadeias produtivas, consolidando sua posição como fornecedor global de componentes essenciais para a indústria de alta tecnologia.

“O provável é que os Estados Unidos busquem alternativas para criar uma cadeia produtiva paralela à chinesa, firmando acordos com outros países para reduzir a dependência do mercado asiático”, explica Lopes. No entanto, ele alerta que, mesmo com medidas econômicas, a escalada da disputa pode levar a conflitos diretos por controle de territórios estratégicos.

Embora os EUA possuam reservas minerais próprias, a exploração enfrenta desafios como altos custos, regulações ambientais rigorosas e limitações tecnológicas. Isso dá vantagem à China, que tem um processo de mineração e refino mais consolidado e menos restritivo.

Papel do Brasil no cenário global

Apesar de não estar no centro da disputa, o Brasil pode se beneficiar como fornecedor estratégico. O país tem grandes reservas de minerais críticos e uma matriz energética majoritariamente sustentável, fatores que o tornam um potencial parceiro comercial para potências em busca de diversificação no fornecimento de insumos.

“O Brasil tem potencial para liderar o fornecimento global de minerais estratégicos, com as maiores reservas de nióbio do mundo e depósitos relevantes de lítio e grafite. No entanto, permanece amarrado a uma cultura burocrática”, ressalta Julian.

Com a rivalidade entre EUA e China se intensificando, o controle sobre minérios estratégicos será decisivo para o equilíbrio de forças no cenário global. Mais do que uma disputa econômica, a nova Guerra Fria passa pelo domínio dos insumos que impulsionam a tecnologia e a indústria do futuro.

Futuro da disputa

A evolução desse conflito ainda é incerta. Enquanto os EUA tentam reduzir sua dependência da China, o gigante asiático avança no domínio das cadeias produtivas globais. “A tendência é que mais parcerias comerciais e alianças militares sejam formadas para garantir o fornecimento desses recursos. No entanto, não podemos descartar conflitos ou até mesmo tentativas de invasão territorial. Mas é aquela história, entre possibilidade e probabilidade, são duas coisas diferentes”, alerta Lopes.

O que está em jogo não é apenas o controle de minerais, mas a soberania tecnológica e econômica das potências globais. E, nesse novo tabuleiro geopolítico, cada movimento pode redefinir o equilíbrio de poder no século 21.

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