Megaprotesto leva 1 milhão de manifestantes às ruas de Santiago

Nem concessões de Piñera, que recuou em aumento da tarifa do transporte e anunciou pacote social, evitaram maior ato desde o fim da ditadura

atualizado 25/10/2019 21:44

Reprodução/Redes sociais

A capital do Chile é palco de um protesto que reúne cerca de 1 milhão de pessoas nesta sexta-feira (25/10/2019), na Plaza Itália, principal ponto de encontro dos manifestantes que há uma semana vão às ruas de Santiago e de todo o país para protestar contra o governo do presidente Sebastián Piñera e a falta de condições econômicas para a população mais pobre.

A estimativa de participação foi fornecida pela governadora da região metropolitana da capital chilena, Karla Rubilar, por meio de sua conta no Twitter.

“A RM [Região Metropolitana] é protagonista de uma pacífica marcha de cerca de 1 milhão de pessoas que representam o sonho de um novo Chile, de forma transversal sem distinção”, escreveu.

Bandeiras chilenas, apitos, cartazes e panelas são levados pelos manifestantes, que se concentram em uma marcha pacífica. O país está marcado pelo alto nível de repressão dos protestos, que já deixaram no mínimo 19 mortos em uma semana, enquanto denúncias de torturas e agressões feitas pela polícia e pelo exército são feitas por institutos de proteção aos direitos humanos.

Manifestantes
O alto índice de feridos e mortos fez com que a alta-comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e ex-presidente do Chile Michelle Bachelet enviasse uma equipe para investigar as denúncias. O convite foi feito pelo próprio Piñera.

Os manifestantes, que até o momento não são representados por organizações ou partidos políticos, expressam demandas de melhores salários, pensões e ensino público. As manifestações são as maiores desde o restabelecimento da democracia no país, após a ditadura do ex-presidente Augusto Pinochet (1973–1990).

Na periferia da capital, caminhoneiros e cidadãos que utilizam o transporte público do país bloquearam estradas também nesta sexta, após terem decretado greve geral. Os caminhões circulavam lentamente pela rota que une o país de norte a sul, onde se somaram motoristas e ciclistas com bandeiras chilenas e cartazes.

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