McDonald’s anuncia saída definitiva da Rússia após 32 anos

Rede de fast food afirma que presença no país após a invasão da Ucrânia "não é mais sustentável, nem consistente com os valores da marca"

atualizado 16/05/2022 16:29

Loja do McDonald's em Moscou, na Rússia, com algumas pessoas dentro, após a rede anunciar que suspenderia temporariamente seu funcionamento no país como reação à guerra na Ucrânia- MetrópolesSefa Karacan/Anadolu Agency via Getty Images

A rede americana de fast food McDonald’s anunciou nesta segunda-feira (16/05) que vai encerrar suas operações em definitivo na Rússia e vender seus negócios no país. O anúncio marca o fim da presença de três décadas da rede na Rússia e é mais um sinal do isolamento econômico da Rússia em meio à guerra na Ucrânia.

O McDonald’s iniciou suas operações em Moscou em janeiro de 1990, ainda na era soviética, e a inauguração da primeira loja na capital do país foi encarada à época com um dos símbolos da abertura do antigo império comunista para o exterior.

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O McDonald’s tinha fechado temporariamente suas 850 lojas na Rússia em março, no início da guerra de agressão do regime de Vladimir Putin contra a Ucrânia. Não foi a primeira vez que a rede tomou uma decisão do gênero. Em 2014, a empresa fechou todas as suas lojas na região ucraniana da Crimeia, após a península ser anexada ilegalmente pela Rússia.

Uma rede russa chamada RusBurger acabou assumindo os antigos pontos da rede americana na Crimeia. Com o lema “sabor da Rússia”, a rede russa passou a oferecer produtos como o “X-Burguer do Czar” e o “Czar de Frango” em vez dos tradicionais Big Macs e McChickens.

“Valores do McDonald’s”

Nesta segunda-feira, o McDonald’s afirmou, em comunicado, que sua presença na Rússia não é “mais consistente com os valores” da rede americana.

“Depois de mais de 30 anos de operações no país, a McDonald’s Corporation anunciou que sairá do mercado russo e iniciou um processo para vender seus negócios. A crise humanitária causada pela guerra na Ucrânia e o consequente ambiente operacional imprevisível levaram o McDonald’s a concluir que a propriedade continuada do negócio na Rússia não é mais sustentável, nem é consistente com os valores do McDonald’s”, diz o comunicado.

A empresa acrescentou que pretende vender “todo o seu portfólio de restaurantes McDonald’s na Rússia para um comprador local” e que, após a venda, os restaurantes não poderão mais usar o nome, logotipo, marca ou cardápio do McDonald’s.

A Rússia, onde o McDonald’s administra diretamente mais de 80% dos restaurantes que usam seu nome, responde por 9% da receita da empresa e 3% de seu lucro operacional. O McDonald’s afirma que 62 mil pessoas trabalham nas lojas do país.

O executivo-chefe da empresa, Chris Kempczinski, também declarou em comunicado: “Estamos excepcionalmente orgulhosos dos 62 mil funcionários que trabalham em nossos restaurantes, juntamente com as centenas de fornecedores russos que apoiam nossos negócios e nossos franquias locais. Sua dedicação e lealdade ao McDonald’s tornam o anúncio extremamente difícil.”

“No entanto, temos um compromisso com nossa comunidade global e devemos permanecer firmes em nossos valores. E nosso compromisso com nossos valores significa que não podemos mais manter os Arcos [símbolo da empresa] brilhando lá”, prosseguiu.

Em 24 de fevereiro, Putin ordenou que suas tropas invadissem a Ucrânia, provocando a imposição de sanções ocidentais sem precedentes contra a Rússia e um êxodo de empresas estrangeiras, incluindo a H&M, Starbucks, Ikea e Siemens.

Renault é nacionalizada

Ainda nesta segunda-feira, a montadora francesa Renault entregou seus ativos no país ao estado russo, marcando a primeira grande nacionalização desde o início das sanções sobre a campanha militar de Moscou na Ucrânia.

A Renault controlava 68% da AvtoVAZ, a maior montadora da Rússia, que tem como principal marca a Lada. A empresa francesa estava sob pressão para sair do país desde o início da guerra.

Nenhum detalhe financeiro sobre o processo de nacionalização foi divulgado nesta segunda, mas o ministro russo da Indústria e Comércio, Denis Manturov, disse em abril que a Renault planejava vender seus ativos russos por “um rublo simbólico”.

“Hoje, tomamos uma decisão difícil, mas necessária; e estamos fazendo uma escolha responsável em relação aos nossos 45 mil funcionários na Rússia, preservando o desempenho do grupo e nossa capacidade de retornar ao país no futuro, em um contexto diferente”, disse o chefe-executivo da Renault, Luca de Meo, em comunicado.

O prefeito de Moscou, Serguei Sobyanin, disse que a produção de carros na fábrica da Renault será retomada sob a marca Moskvich (moscovita), da era soviética. “Em 2022, abriremos uma nova página na história de Moskvich”, anunciou.

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