Lula “venceu” Trump em ofensiva tarifária, diz Financial Times

Segundo artigo publicado pelo jornal inglês, Lula “reagiu com firmeza às investidas” dos EUA e defendeu o Supremo Tribunal Federal (STF)

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de Trump e Lula na Malásia - Metrópoles - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em artigo de opinião publicado nesta sexta-feira (28/11) no jornal inglês Financial Times, a colunista Gillian Tett afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “venceu” o líder norte-americano Donald Trump na ofensiva tarifária que impôs taxas de até 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.

“Na semana passada, Trump declarou que ‘certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à sobretaxa adicional de 40%’. Em outras palavras: Lula venceu”, escreveu Tett.

A colunista se referiu ao recuo da Casa Branca, formalizado na semana passada por meio de uma ordem executiva que zerou as tarifas de 40% dos Estados Unidos sobre alguns produtos agrícolas brasileiros. Com a decisão, as tarifas sobre carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, certas frutas, vegetais e nozes, e fertilizantes foram zerados.

No dia 14 de novembro, o governo norte-americano já havia anunciado a retirada das tarifas globais de 10%, mas alguns setores brasileiros ainda continuavam taxados com 40%.

Segundo o texto, a Casa Branca considera que houve “progresso inicial” nas negociações conduzidas após a conversa telefônica entre Trump e Lula, realizada em 6 de outubro. O diálogo abriu caminho para uma revisão da medida punitiva, adotada sob justificativa de que políticas do governo brasileiro representariam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança e aos interesses econômicos dos EUA.

Agora, a equipe de negociação brasileira, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, vai pedir para avançar na redução de tarifas na indústria, aplicadas a máquinas, motores, madeiras e alimentos industrializados.

“Lula agiu com firmeza”

Segundo Gillian Tett, Lula “reagiu com firmeza às investidas — aumentando sua popularidade interna — e defendeu o Judiciário”. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi alvo de ataques dos Estados Unidos por causa da ação penal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Trump tentou pressionar pela reversão da eminente condenação de Bolsonaro, mas a coação não funcionou. O ex-mandatário começou, nesta semana, a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses por liderar uma trama golpista que buscava mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.

A colunista também ironizou a reversão das tarifas ao citar a sigla “Taco”, que significa em inglês “Trump Always Chickens Out” (“Trump sempre amarela”, em português).

“Como se diz ‘Taco’ — como em ‘Trump sempre amarela’ — em português? É uma pergunta que alguns brasileiros podem fazer agora, com um sorriso”, afirmou Tett.

O termo foi usado por brasileiros na internet após o líder dos EUA impor sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky. Os usuários acreditavam que Trump seguiria o mesmo padrão observado anteriormente, recuando depois de anunciar medidas agressivas.

Três lições centrais

De acordo com a colunista, o episódio traz três lições centrais. A primeira é que a Casa Branca demonstra maior sensibilidade ao impacto do custo de vida, o que é reforçado por pesquisas recentes que mostram que a confiança do consumidor está caindo em paralelo com a taxa de aprovação de Trump.

“Sua equipe está se esforçando para encontrar maneiras de reduzir os preços dos alimentos — e cortar as tarifas agrícolas é uma medida óbvia”, aponta.

A segunda lição é que “valentões geralmente respondem à força”. Tett lembra que países como a China já evidenciaram isso e que o Brasil teria adotado lógica semelhante, apontando que quem negocia com Trump deve “começar avaliando como explorar seus pontos fracos”.

Por fim, a terceira lição aborda a necessidade de distinguir táticas de objetivos ao observar a Casa Branca. Esse é um exercício que, segundo Tett, nem sempre é simples, já que Trump muitas vezes “demonstra uma lamentável falta de estratégia clara”.

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