Lula: “Brasil pode se transformar na Arábia Saudita dos biocombustíveis”

Presidente pediu para que a Europa supere “resistência ideológica” e preconceitos em relação ao combustível brasileiro de origem vegetal

atualizado

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Ricardo Stuckert / PR
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1 de 1 lula-hannover-biocombustiveis - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (20/4), que o Brasil pode se transformar na “Arábia Saudita dos biocombustíveis”. Durante declaração à imprensa em Hanover, na Alemanha, o titular do Planalto reiterou o pedido para que a Europa supere “resistência ideológica” e preconceitos em relação ao combustível de origem vegetal brasileiro.

Durante fala sobre a importância dos biocombustíveis, Lula afirmou que a defesa do material se dá “pelo simples fato de estar defendendo a soberania nacional”.

“Eu acho que o Brasil pode se transformar em uma espécie de Arábia Saudita dos biocombustíveis, dos combustíveis renováveis”, declarou o chefe do Executivo brasileiro a jornalistas, ao lado do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, representando 10% do fornecimento global da matéria-prima.

Antes, Lula havia dito que os europeus “podem parar de ter medo” do biocombustível, afirmando que a desconfiança se dá porque “dizem que o biocombustível vai ocupar a terra que é para produzir alimento”.

“Então aqueles que tem medo de discutir a baixa utilização do combustível fóssil, pode parar de ter medo, porque o Brasil está mostrando que é uma opção. E veja que o Brasil é um país produtor de petróleo, nós somos exportadores de petróleo. Mas nós estamos trabalhando com muita vontade para provar que o mundo não ficará órfão se não tiver combustível fóssil”, relatou.

“Se a imprensa alemã publicar direitinho, nós vamos acabar com o preconceito. Aquele preconceito que dizem que o biocombustível vai ocupar a terra que é para produzir alimento. Também não é verdade. No caso do Brasil, se tem uma coisa que nós temos de sobra, é terra fértil, agricultável, para produzir”, argumentou o presidente brasileiro.

O titular do Planalto também criticou regras ambientais adotadas pela União Europeia em relação ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que passa a valer a partir de 1º de maio para os países que já concluíram a ratificação interna do pacto, como o Brasil. “É legítimo impulsionar políticas de descarbonização, preservação ambiental e desenvolvimento industrial, mas não é correto adotar métricas que não são fidedignas a realidade, nem compatíveis com regras multilaterais. Não há como vencer o unilateralismo com mais unilateralismo”, disse.

Nesta segunda na Alemanha, Lula participou da Feira de Hannover — considerada a maior feira de tecnologia e inovação industrial do mundo. Nesta edição, o Brasil é o país parceiro.

Lula também compareceu a abertura da 42.ª Edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, às margens do evento. Ainda nesta segunda, o brasileiro visitará as instalações da fábrica da Volkswagen, em Wolfsburg, encerrando seus compromissos no país.

Durante a visita, Brasil e Alemanha assinaram 10 acordos em diversas áreas, como defesa, inteligência artificial e bioeconomia.

Parceria com México para explorar petróleo

Ainda durante a declaração à imprensa, Lula citou que o Brasil está tentando fazer um acordo com a Pemex, empresa petrolífera estatal mexicana, para explorar petróleo em águas profundas do Golfo do México. 

“Estamos tentando fazer um acordo com o México, com a Pemex mexicana, para ir no Golfo do México explorar petróleo junto com a Pemex em águas profundas. Porque a Petrobras é a detentora da mais importante tecnologia”, relatou.

De acordo com Lula, o Brasil não quer exigir que países abram mão da utilização de petróleo para desenvolver energia e as indústrias, mas sim provar que é possível diminuir os efeitos ambientais do combustível fóssil utilizando o biocombustível.

Críticas ao Conselho da ONU

Na ocasião, Lula também voltou a pedir por uma reforma na Organização das Nações Unidas (ONU) e criticar o Conselho de Segurança do órgão, formado por cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

“Entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada. Brasil e Alemanha defendem há décadas uma reforma que recupere a legitimidade do Conselho de Segurança”, disse.

Segundo o petista, o grupo “não faz nada para evitar guerras”.

“Não pode ser o privilégio dos cinco que tomaram posse no Conselho de Segurança em 1945 e que não fazem nada para evitar guerra. Então, ou nós assumimos a reponsabilidade de brigar e mudar para mudar a carta da ONU, o estatuto da ONU, e garantir uma renovação, ou nós vamos continuar nesse nau, sabe, vagando pelo mar, sem controle. Eu vou gritar nos quatro cantos do mundo: ou nós renovamos a ONU e o estatuto da ONU, ou nós colocamos mais países na ONU para representar a geopolítica de 2026, ou a gente vai continuar com guerras sendo decisões unilaterais de quem tem armas”, finalizou.

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