Líderes deveriam seguir reação de Lula a Trump, diz Nobel de economia
Joseph Eugene Stiglitz afirma que Trump não pode impor sanções como instrumento de ameaça para que os países obedeçam suas ordens
atualizado
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Joseph Eugene Stiglitz, norte-americano vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2001, redigiu um artigo no qual exalta a postura do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o tarifaço de 50% que o presidente dos EUA, Doland Trump, quer impor sobre produtos brasileiros. Stiglitz afirma que líderes políticos devem ter uma postura semelhante e não se intimidar diante de ameaças. O material foi publicado nessa segunda-feira (28/7), no site Project Syndicate.
“Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil optou por reafirmar seu compromisso com o Estado de Direito, mesmo com os Estados Unidos aparentemente renunciando à sua própria Constituição. Espera-se que outros líderes políticos demonstrem coragem semelhante diante da intimidação do país mais poderoso do mundo”, escreveu o economista.
No texto “A corajosa posição do Brasil contra Trump”, Stiglitz, que foi conselheiro no governo do ex-presidente americano Bill Clinton e economista chefe do Banco Mundial, explica a tese de como Trump feriu a democracia durante o passar dos anos e remete isso ao tarifaço de 50% imposto ao Brasil, o que, segundo ele, aconteceu devido ao processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado por um suposto golpe de Estado.
Stiglitz afirma que o presidente norte-americano não pode impor sanções como instrumento de ameaça para que os países obedeçam suas ordens políticas. Ele alega que Trump ignora a Constituição dos EUA, que concede ao Congresso a autoridade exclusiva para impor taxas.
“Aqui estava Trump violando o Estado de Direito ao insistir que o Brasil, que aderiu a todas as etapas do devido processo legal ao processar Bolsonaro, fez o mesmo. Trump não poderia citar nenhuma lei que lhe desse sequer uma desculpa para suas ações inconstitucionais”, destacou o economista.
No que diz respeito ao pensamento ideológico de Trump, o professor universitário afirma que há demagogos ao redor do mundo dispostos a adotar fórmula de “atropelar as instituições democráticas e repudiar os valores que as sustentam”. Stiglitz faz alusão ao atentado dia 8 de janeiro e afirma que Bolsonaro tentou imitar o ataque ao Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro, quando trumpistas tentaram impedir a eleição de Biden.
Bolsonaro é réu na ação que apura suposta trama golpista contra a última eleição de Lula e está sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. O ex-presidente é investigado por suspeita de colaborar com a atuação política de seu filho Eduardo nos Estados Unidos com o objetivo de impor sanções contra autoridades brasileiras.
O economista fecha o artigo alegando que Lula defendeu a soberania não apenas no âmbito comercial, mas também na regulamentação das plataformas tecnológicas controladas pelos EUA.
“Os oligarcas da tecnologia dos EUA usam seu dinheiro e influência em todo o mundo para tentar forçar os países a lhes darem carta branca para perseguir suas estratégias de maximização de lucro, o que inevitavelmente causa enormes prejuízos, inclusive servindo como um canal de desinformação e informação enganosa”, finaliza.
