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Haddad: governo busca conversa de Lula com Trump sem “viralatismo”

Ministro defendeu que haja preparação prévia para que a conversa entre Lula e Trump ocorra de forma respeitosa

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1 de 1 Imagem colorida de Fernando Haddad - Metrópoles - Foto: Samuel Reis/Metrópoles

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), explicou, nesta terça-feira (29/7), como o governo brasileiro tenta preparar uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos Estados Unidos, para tratar da negociação sobre as tarifas impostas pelo norte-americano a produtos brasileiros.

O titular da Fazenda avaliou que os canais de diálogo estão abertos, mas que é necessária preparação prévia para uma conversa entre os dois chefes de Estado, para que não haja sentimento de “viralatismo”.

“É papel nosso, dos ministros, azeitar os canais para que a conversa, quando ocorrer, seja a mais edificante possível. Não seja uma coisa como aconteceu — vocês presenciaram várias conversas que não foram conversas respeitosas. Tem que ter uma preparação antes para que seja uma coisa respeitosa, para que os dois povos se sintam valorizados à mesa de negociação, não haja um sentimento de viralatismo, de subordinação. Preparar isso é respeito ao povo brasileiro, à soberania do povo”, disse o ministro, ao atender jornalistas quando chegada à sede da Pasta.

Haddad ressaltou que a data-limite para a vigência da tarifa de 50%, fixada em 1º de agosto, não é motivo de preocupação e que o governo busca agora resposta às cartas enviadas para negociar uma solução.

“Não estou muito fixado na data. Se nós ficarmos muito apreensivos com ela, nós podemos inibir que a conversa transcorra com mais liberdade, mais sinceridade entre os dois países”, pontuou.


Entenda o tarifaço de Trump:

  • Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou no dia 9/7 que taxaria os produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto;
  • Trump reclamou do que considera “ataques insidiosos” contra eleições livres no Brasil e criticou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de inquérito no STF por suposta tentativa de golpe de Estado;
  • Trump tem adotado tarifas a diversos países como meio de pressionar por novos acordos comerciais. No caso do Brasil, o motivo ideológico se destaca;
  • Lula tem dito que responderá via Lei de Reciprocidade e se recusa a aceitar qualquer interferência estrangeira no funcionamento do Estado brasileiro, e tem repetido que o Poder Judiciário é independente do Executivo;
  • O governo brasileiro tem reclamado que não há interlocutores para negociar qualquer saída para o tarifaço;
  • Lideranças da direita, como Eduardo e Jair Bolsonaro, têm condicionado o fim do tarifaço a algumas pautas, como anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e fim do inquérito sobre o suposto golpe de Estado.

Haddad também criticou Jair Bolsonaro (PL) ao afirmar que a relação do ex-presidente com os Estados Unidos era de “subserviência”.

“Bolsonaro tinha um estilo muito subserviente. Isso não está à altura do Brasil, foi o presidente mais subserviente da história do Brasil. Precisa virar um pouquinho a página da subserviência, e com muita humildade se colocar à mesa, mas respeitando os valores do nosso país”, destacou o ministro da Fazenda.

Plano de contingência

Em conversa com jornalistas, Haddad disse que o presidente Lula “manifestou muita tranquilidade” em relação ao plano de contingência apresentado nessa segunda-feira (28/7). A proposta prevê uma série de medidas para minimizar os impactos do tarifaço sobre setores afetados. Segundo o ministro, uma iniciativa de apoio à manutenção de empregos nos moldes do que ocorreu na pandemia é uma possibilidade, mas depende do aval do titular do Palácio do Planalto.

“Estamos muito confiantes de que preparamos um trabalho que vai permitir o Brasil superar esse momento que não foi criado por nós, um evento externo, mas o Brasil vai estar preparado para cuidar das suas empresas, dos seus trabalhadores e ao mesmo tempo se manter permanentemente em uma mesa de negociação, buscando racionalidade, respeito mútuo.”

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