Irã: líder fala pela 1ª vez e diz que Estreito de Ormuz segue fechado
O novo líder do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou primeira mensagem desde a sua nomeação
atualizado
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O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, fez a primeira publicação, nesta quinta-feira (12/3), desde a sua nomeação. A mensagem, divulgada em seu canal oficial no Telegram, pede que o povo do Irã permaneça “firme contra o inimigo” e afirma que o Estreito de Ormuz seguirá fechado.
Khamenei, de 56 anos, assumiu a liderança do Irã no domingo (8/3). Ele é o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, após ataques conduzidos por Israel e Estados Unidos contra o Irã.
O Estreito de Ormuz está fechado desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o Irã. Segundo autoridades norte-americanas, o processo de minagem ainda não é grande, e apenas algumas minas foram instaladas nos últimos dias.
“Também foram realizados estudos sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e será severamente vulnerável, e sua ativação será realizada se a guerra continuar e de acordo com os interesses”, disse o aiatolá sobre a permanência do bloqueio ao estreito.
O possível fortalecimento da segurança no estreito surge em meio a declarações dos Estados Unidos e de países da Europa sobre reabrir o local, por onde cerca de 20% do petróleo mundial é escoado.
A imagem divulgada pelo lider conta com os nomes dos líderes supremos do Irã: Mojtaba Khamenei, o seu pai, Ali Khamenei, e o seu antecessor e primeiro homem a ocupar o cargo, Ruhollah Khomeini.
Abaixo da lista, Khamenei cita uma frase usada no início da maioria dos capítulos do Alcorão: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”.

Veja a mensagem na íntegra
“Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Também foram realizados estudos sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual”.
