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Mundo

Ao Kremlin, Irã usa "agressão" dos EUA para justificar tensão em Ormuz

Em ligação com o chanceler russo, Sergey Lavrov, o iraniano Abbas Aragchi disse que insegurança em Ormuz decorre de ações militares dos EUA

20/04/2026 14:55
Ministério das Relações Exteriores da Rússia
Ao Kremlin, Irã usa “agressão” dos EUA para justificar tensão em Ormuz

A crise no Estreito de Ormuz ganhou novo capítulo diplomático nesta segunda-feira (20/4), após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, atribuir a atual insegurança na região à “agressão” dos Estados Unidos, durante conversa telefônica com o chanceler russo, Sergey Lavrov.

Segundo a mídia estatal iraniana, Araghchi informou que Teerã considera a instabilidade na estratégica via marítima resultado direto de ações militares norte-americanas e de Israel.

Ele também declarou que a navegação de embarcações estrangeiras pelo estreito ocorre sob coordenação das autoridades iranianas, reforçando o controle do país sobre a área.

Durante a ligação, Lavrov destacou a necessidade de preservar o cessar-fogo em vigor e evitar nova escalada militar no Oriente Médio.

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De acordo com o comunicado da chancelaria russa, Moscou defendeu que a trégua seja respeitada nos termos acordados inicialmente, com mediação do Paquistão, e reiterou apoio a soluções diplomáticas.

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"Portas estão abertas", diz ministro russo sobre Brics
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Escalada no Oriente Médio

A conversa ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Teerã e Washington, às vésperas do fim do cessar-fogo previsto para quarta-feira (22/4).

O acordo, iniciado em 7 de abril, pode não ser renovado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que considera “altamente improvável” estender a trégua caso não haja avanços nas negociações.

“Não vou me precipitar em fechar um mau acordo. Se não houver acordo, certamente esperaria a retomada dos combates”, disse Trump em entrevista recente.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian reforçou a desconfiança histórica em relação aos EUA e criticou o que chamou de mensagens contraditórias de Washington. Segundo ele, as exigências americanas são “excessivas” e indicam uma tentativa de forçar a rendição do país.

O impasse diplomático se intensificou após o Irã rejeitar participar de uma nova rodada de negociações no Paquistão. Teerã acusa os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo, citando o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e a apreensão de um navio iraniano.

Apesar do clima de tensão, a Rússia reiterou estar disposta a atuar como mediadora e facilitar um entendimento entre o Irã e países do Golfo Pérsico.

O governo iraniano, por sua vez, sinalizou que pretende garantir a passagem segura de embarcações russas pela região.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece como ponto central da crise.