Kremlin: encontro entre Trump, Putin e Zelensky requer extremo cuidado
Representante do Kremlin disse que Moscou “não rejeita nenhum formato de trabalho para o acordo ucraniano, incluindo trilateral”
atualizado
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov (na foto), afirmou nesta terça-feira (19/8) que o governo russo não rejeita nenhum formato de trabalho para discutir o acordo sobre a Ucrânia — seja em encontros bilaterais ou trilaterais, que devem contar com a presença do líder do Kremlin, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymy Zelenksy. Entretanto, segundo ele, qualquer iniciativa que envolva líderes de peso deve ser organizada com “extremo cuidado”.
Em entrevista, Lavrov destacou que o clima da recente cúpula realizada no Alasca, que reuniu o presidente russo, Vladimir Putin, e o norte-americano, Donald Trump, foi “positivo” e abriu espaço para um avanço no processo de paz.
“Moscou não rejeita nenhum formato de trabalho para o acordo ucraniano, incluindo bilateral ou trilateral, mas qualquer interação com a participação de figuras importantes deve ser preparada com extremo cuidado”, afirmou o chanceler russo.
“Desejo genuíno de resultado”
Conforme o chanceler, a postura da delegação dos Estados Unidos surpreendeu pela disposição em buscar uma solução.
Para Lavrov, a abordagem de Washington ao conflito “se tornou muito mais profunda” após o encontro.
O ministro russo voltou a insistir que a crise tem raízes nas preocupações históricas da Rússia com a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o leste.
“Houve violações flagrantes e sistemáticas, ao longo de décadas, das promessas de não expandir a aliança”, disse.
Ele reforçou que Moscou não visa tomar territórios, mas sim proteger a população de língua russa.
O chanceler também afirmou que, se o presidente ucraniano “leva a sério a defesa da Constituição do país, deveria começar pelos primeiros artigos, que garantem os direitos da população de língua russa”.
Reunião na Casa Branca
- As conversas em Washington, entre os presidentes do EUA e Ucrânia, Donald Trump e Volodymyr Zelensky, ocorreu após Trump receber Putin na última sexta-feira (15/8), no Alasca.
- O encontro terminou sem anúncio de cessar-fogo, mas com a promessa de manter o diálogo.
- Nesta tarde, além de realizar a reunião bilateral com Zelensky, Trump se reúne com líderes europeus, como Emmanuel Macron (França), Giorgia Meloni (Itália), Friedrich Merz (Alemanha) e Keir Starmer (Reino Unido), bem como com representantes da União Europeia e da Otan.
- O reencontro de Trump e Zelensky acontece seis meses após os líderes baterem boca no Salão Oval da Casa Branca. À época, o ucraniano estava firme em sua retórica de que não “venderia a Ucrânia” — referindo-se ao acordo de terras raras ucranianas, que, por fim, foi assinado com o governo norte-americano em abril.
Expectativa de cúpula trilateral
As declarações de Lavrov chegam em meio aos preparativos para uma possível reunião entre Putin, Trump e Zelensky. Mais cedo, nesta terça-feira, a Casa Branca confirmou que os esforços para o encontro estão em andamento e que o presidente russo se comprometeu a encontrar o ucraniano “nas próximas semanas”.
Segundo Washington, a cúpula do Alasca abriu caminho para essa nova fase, e senadores norte-americanos como JD Vance e Marco Rubio estão coordenando ações com Moscou e Kiev para facilitar a negociação.
Apesar da sinalização positiva de Moscou, Lavrov insistiu que qualquer negociação envolvendo figuras como Putin, Trump e Zelensky “exige preparo detalhado”. Para ele, a pressa pode prejudicar o processo.












