Khamenei diz que "tinha opinião diferente" mas aceitou acordo com EUA
Por meio de uma postagem em sua rede social, Khamenei fez a primeira declaração desde que o acordo foi firmado

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (18/6) que autorizou o governo iraniano a avançar com o acordo de paz firmado com os Estados Unidos, apesar de não concordar com a proposta durante as negociações.
Em publicação nas redes sociais, Khamenei declarou que tinha uma posição diferente sobre o memorando de entendimento assinado entre os dois países, mas decidiu autorizar a decisão após garantias apresentadas pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pelos integrantes do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
“Em princípio, eu tinha uma opinião diferente, mas, diante do compromisso assumido pelo presidente e pelos membros do Conselho para preservar os direitos da nação iraniana e da frente de resistência, concedi a permissão”, escreveu.
A manifestação foi a primeira do líder supremo desde a formalização do acordo entre Washington e Teerã, concluído nessa quarta-feira (17/6) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian.
Na publicação, Khamenei também afirmou que as autoridades iranianas se empenharam para alcançar o entendimento e criticou a postura dos Estados Unidos durante as negociações.
“Para chegar a este ponto, as autoridades fizeram muitos esforços por boa vontade. Foi o presidente dos Estados Unidos que, em um ato de desespero, utilizou todos os meios possíveis para atingir esse objetivo”, declarou.
O acordo prevê a ampliação do cessar-fogo e a continuidade das negociações entre os dois países. A próxima etapa das tratativas deverá abordar o programa nuclear iraniano, tema considerado um dos principais pontos de divergência entre Washington e Teerã.
Até o momento, Khamenei não comentou os detalhes dessa nova fase das negociações nem a discussão prevista para os próximos 60 dias sobre enriquecimento de urânio e inspeções internacionais.
Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz
O documento tem caráter provisório e estabelece uma série de compromissos que deverão ser cumpridos por ambas as partes. A partir de agora, Washington e Teerã terão um prazo de 60 dias para negociar os termos de um acordo definitivo.
Inicialmente, a formalização do entendimento ocorreria durante uma cerimônia presencial prevista para sexta-feira (19/6), com a participação do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e de representantes do governo iraniano. No entanto, o plano foi alterado.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, optou-se por uma assinatura virtual realizada diretamente pelos chefes de Estado dos dois países.
“Nas últimas 24 horas, analisamos a situação e concluímos que seria melhor que o texto fosse assinado pelos presidentes dos dois países virtualmente. Quando um documento é assinado pelas mais altas autoridades, o custo político de descumpri-lo se torna maior”, afirmou.
Trump assinou o acordo durante um jantar com o presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, à margem das reuniões da cúpula do G7.
Baghaei informou ainda que uma nova rodada de negociações continua prevista para ocorrer na Suíça, embora a data do encontro ainda não tenha sido definida. Segundo ele, os próximos passos dependerão dos entendimentos que forem alcançados por meio dos mediadores envolvidos nas conversas entre os dois países.
“Precisamos ver se as partes chegam a um acordo por meio dos mediadores nas próximas horas”, declarou o porta-voz iraniano.
A próxima etapa das negociações deverá concentrar-se nos temas mais sensíveis do conflito, incluindo o programa nuclear iraniano e os mecanismos para implementação permanente dos termos de paz.
Os 14 pontos do acordo firmado entre EUA e Irã
- 1. Fim das operações militares
- 2. Respeito à soberania
- 3. Prazo para acordo definitivo
- 4. Retirada do bloqueio naval
- 5. Reabertura do Estreito de Ormuz
- 6. Plano de reconstrução econômica
- 7. Fim gradual das sanções
- 8. Compromissos nucleares
- 9. Manutenção do status quo
- 10. Exportação de petróleo
- 11. Liberação de ativos congelados
- 12. Mecanismo de monitoramento
- 13. Início das negociações finais
- 14. Aval da ONU








