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Mundo

Justiça italiana consulta UE sobre lei que restringe cidadania

Tribunal europeu avaliará se mudanças que limitaram cidadania por descendência violam direitos garantidos pela União Europeia

23/07/2026 16:10
Alexander Spartari/Getty Images
Foto colorida de bandeira da Itália

A Justiça italiana decidiu nesta quinta-feira (23/7) consultar o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) sobre a validade da lei que restringiu o acesso à cidadania italiana por descendência.

Tal medida abre caminho para uma possível reviravolta nas regras em vigor e pode beneficiar milhares de descendentes de italianos, especialmente brasileiros e argentinos, afetados pelas mudanças aprovadas pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.

A consulta foi formalizada por meio da Portaria nº 147/2026 do Tribunal Constitucional da Itália, registrada nesta quinta. A Corte questiona se as restrições introduzidas pelo artigo 3-bis da Lei nº 91/1992 são compatíveis com o direito da União Europeia ou se representam uma revogação indevida de direitos anteriormente reconhecidos aos descendentes de italianos.

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Itália: jornalistas em greve por salários congelados há quase 10 anos
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Foto: Divulgação/ Cidadania4U
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Franco Origlia/Getty Images

O pedido foi encaminhado após questionamentos apresentados pelos Tribunais de Mantova e Campobasso. Com isso, os processos relacionados ao tema permanecerão suspensos até que o Tribunal de Justiça da União Europeia, sediado em Luxemburgo, emita uma interpretação.

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A decisão da corte europeia terá caráter vinculante para os tribunais italianos responsáveis pelos casos.

A iniciativa surpreendeu juristas, pois, meses antes, o próprio Tribunal Constitucional havia rejeitado um recurso que alegava a inconstitucionalidade da nova legislação e afirmado não considerar necessária a participação da Justiça europeia no caso.


Reforma limita reconhecimento da cidadania


Críticos sustentam que a antiga legislação representava um direito constitucional e uma forma de reparação histórica aos italianos que emigraram em busca de oportunidades de trabalho, sobretudo para países da América Latina.   

No Brasil, onde vivem milhões de descendentes de italianos, a mudança afetou diretamente pessoas que pretendiam obter o reconhecimento da cidadania com base em bisavós ou tataravós italianos.