Jerusalém vive “anti Semana Santa” devido às restrições impostas por Israel

Guerra esvazia Jerusalém e impede celebrações da Semana Santa no Santo Sepulcro, fechado a fiéis e peregrinos

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Jerusalém vive "anti Semana Santa" devido às restrições impostas por Israel - Metrópoles
1 de 1 Jerusalém vive "anti Semana Santa" devido às restrições impostas por Israel - Metrópoles - Foto: Reprodução/Vaticano

Missas e procissões são celebradas em todas as partes do mundo durante a Semana Santa, mas não em Jerusalém, berço dessa tradição da Igreja Católica. Por causa da guerra contra o Irã, Israel restringiu aglomerações com mais de 50 pessoas e fechou totalmente a Cidade Velha, incluindo o Santo Sepulcro, o lugar mais sagrado do cristianismo.

Na Semana Santa, o templo religioso construído no local onde, segundo a Bíblia, Jesus Cristo teria sido crucificado e sepultado, vai receber até o Domingo de Páscoa apenas um pequeno grupo de religiosos. A autorização ocorre depois de o governo israelense ter impedido a celebração da missa de Domingo de Ramos na Basílica do Santo Sepulcro.

Essa é a maior anti Semana Santa que Jerusalém já viveu. É inédito que, nestes dias, apenas líderes religiosos, monges e alguns fiéis locais possam entrar na igreja. As orações serão transmitidas apenas pela internet. Além disso, não haverá nenhum evento no Monte das Oliveiras, nenhuma Via Crucis, nenhum peregrino. O que se vê é uma Cidade Velha vazia e sem alma.

“É muito triste ver a Cidade tão vazia. Espero que no próximo ano tudo esteja melhor, que a guerra termine e que haja paz em Jerusalém”, diz Issa Kassissieh, uma figura conhecida em Jerusalém.

Todo mês de dezembro, ele encarna o Papai Noel da Terra Santa. Mas hoje, como residente e palestino cristão, deposita sua confiança em Deus para transformar a situação.

O silêncio na cidade lembra o período do lockdown durante a pandemia de Covid-19. O guia turístico Ghassan, morador do bairro cristão, diz que esse marasmo também indica a comoção pelo massacre israelense em Gaza e pelo conflito com o Irã ou o Líbano.

Ele também critica o fato de que todas as entradas da Cidade Velha estão cercadas por policiais que limitam a passagem. Enquanto fala, um franciscano entra no Santo Sepulcro sob o olhar de um policial israelense. Desta vez, sem incidentes.

Israel subestimou importância do rito

A proibição da celebração de missa de Domingo de Ramos em Jerusalém, no último dia 29 de abril, foi a primeira em séculos. A decisão foi condenada por vários países.

“Acho que Israel subestimou a importância do lugar e do rito.” Com essas palavras, o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, tentou encerrar o maior incidente diplomático da Semana Santa. Em um discurso à imprensa, preparado antes da polêmica internacional, o religioso relativizou a conduta dos policiais israelenses que impediram sua entrada e a de outros três religiosos no Santo Sepulcro para celebrar a missa no último domingo (29/3), alegando guerra e medidas de segurança.

Pizzaballa lembrou que as autoridades católicas na Terra Santa não precisam de nenhuma permissão de Israel para entrar no templo. “Não é um privilégio, mas o reconhecimento de um direito estabelecido há muito tempo”, ressaltou.

Ele lamentou o ocorrido, mas disse que “ao mesmo tempo, isso mostrou a emoção em torno desses lugares sagrados neste período”, afirmando que as celebrações em Jerusalém, que acorrem até o Domingo de Páscoa, são acompanhadas por bilhões de fiéis em todo o mundo.

A Basílica do Santo Sepulcro não é a única visada pelas restrições impostas por Israel. O Muro das Lamentações, lugar sagrado para os judeus, e a Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos, também têm o número de visitantes reduzido.

Leia mais reportagens como essa em RFI, parceiro do Metrópoles.

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