
Itamaraty repudia declarações de Milei e fala em “ingerência externa”
Em nota, Itamaraty chamou de "inaceitáveis" as recentes declarações de Javier Milei sobre Lula e as eleições no Brasil

O governo do Brasil classificou as recentes ofensas e acusações do presidente Javier Milei sobre as eleições brasileiras como “inaceitáveis” e disse que o presidente da Argentina tenta interferir no processo eleitoral. A manifestação foi divulgada nesta terça-feira (20/10) pelo Ministério das Relações Exteriores.
“As ofensas de hoje do presidente da República da Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, disse o Itamaraty em nota.
Mais cedo, Milei publicou novas alegações contra Lula (PT) nas redes sociais, chamou presidente brasileiro de “esquerdista ladrão”, e fez insinuações sobre a possibilidade de fraude no segundo turno das eleições. O líder argentino não apresentou nenhuma prova das acusações, mas disse esperar que “o último truque sujo da campanha deles [Partido dos Trabalhadores] não inclua roubar a eleição”.
“O presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”, afirmou a diplomacia brasileira. “Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
No comunicado, o Itamaraty acrescentou que o sistema de voto brasileiro é “comprovadamente seguro”, inclusive ratificado por “observadores eleitorais do mundo inteiro”.
Ataques de Milei
Os ataques de Milei contra Lula não são novidade. Eles começaram em julho, quando o presidente argentino participou do evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, e chamou o petista de “presidiário”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDias depois, o presidente do Brasil foi acusado por sua contraparte argentina de investir 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 5 bilhões) na campanha de Sergio Massa, que disputou a Presidência em 2023 com Milei.
Após as alegações, o governo brasileiro chamou de volta o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli. O Itamaraty também convocou o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.
A relação entre os dois países foi rebaixada em agosto, após o Itamaraty decidiu não enviar Bitelli de volta ao posto em Buenos Aires.
