Israel: em carta à filha, brasiliense denuncia “genocídio infantil”
Thiago Ávila foi preso enquanto liderava uma flotilha para oferecer ajuda humanitária em Gaza. Ele divulgou mensagem para a filha nas redes
atualizado
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O ativista brasiliense Thiago Ávila, preso em Israel desde 29 de abril, divulgou uma carta, nesta segunda-feira (4/5), em que fala de “um milhão de crianças sofrendo genocídio” e “sendo amputadas sem anestesia” na guerra.
A mensagem foi publicada via redes sociais e endereçada para sua filha, Teresa, que vive no Brasil com a mãe.
“Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente, seu pai, sua mãe e tantas pessoas ao redor do mundo entenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir”, escreveu.
Ávila foi preso enquanto liderava uma flotilha que tinha, como objetivo, chegar até Gaza com ajuda humanitária. O espanhol Saif Abu Keshek foi detido na mesma operação.
“Hoje, mais de um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio, sendo levadas à morte pela fome, sendo amputadas sem anestesia e sofrendo com ideias horríveis e cheias de ódio, mesmo sem saber o que são sionismo e imperialismo”, diz o documento.
Apesar do apelo do governo brasileiro e da acusação do Itamaraty de que ele foi sequestrado em águas internacionais, o brasiliense segue preso.
Maus-tratos
Thiago Ávila relatou aos advogados que foi “submetido a extrema brutalidade” quando abordado pelas forças de Israel, sendo “arrastado de bruços pelo chão e espancado tão violentamente que desmaiou duas vezes”, disse Miriam Azem, coordenadora de defesa internacional do grupo de direitos humanos Adalah.
A defesa sustenta que não há provas ou fundamentos concretos que embasem as acusações, que permanecem, até o momento, no campo das suspeitas. O ativista segue detido para interrogatório e sem denúncia formalizada.
No ano passado, Thiago Ávila já havia sido preso por forças de Israel ao tentar chegar à Faixa de Gaza em uma embarcação com ajuda humanitária destinada à população palestina, ao lado de outros ativistas internacionais, como a sueca Greta Thunberg.
Leia a carta na íntegra
“Querida Teresa,
Sinto muito por não estar em casa com você agora. Infelizmente, seu pai, sua mãe e tantas pessoas ao redor do mundo entenderam a tarefa histórica que temos a responsabilidade de cumprir.
Hoje, mais de um milhão de crianças estão sofrendo um genocídio, sendo levadas à morte pela fome, sendo amputadas sem anestesia e sofrendo com ideias horríveis e cheias de ódio, mesmo sem saber o que são sionismo e imperialismo.
Tenho certeza de que você sente muita saudade de mim, e todos os pais e mães de crianças palestinas também sentem muita saudade delas e dariam qualquer coisa para viver uma vida de amor, felicidade e alegria que todo ser humano merece, independentemente de raça, religião, etnia ou qualquer outra característica.
O seu mundo será mais seguro porque muitos pais decidiram dar tudo para construir esse mundo melhor para você.
Espero que um dia você entenda que, por eu te amar tanto, não havia nada mais perigoso para você e para outras crianças do que viver em um mundo que aceita o genocídio.
Por favor, lembre-se do seu pai como a pessoa que cantava para você e tocava violão para você dormir.
E, quando você crescer, sua mãe também contará que seu pai foi um revolucionário e que, mesmo enfrentando as pessoas mais horríveis vivas – Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir-ele permaneceu firme na crença de construir um mundo melhor.
Por favor, não se esqueça da Palestina!
Com todo o meu amor,
Thiago Ávila”.








