Israel fecha acordo com padre após impedir Missa de Ramos em Jerusalém
Celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi interrompida por autoridades israelenses

O governo de Israel anunciou que fechou um acordo com o padre impedido de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. O impedimento causou comoção na comunidade católica.
O acerto foi anunciado nesta segunda-feira (30/3) e trata das próximas celebrações do período pascal, considerado um dos mais simbólicos para o cristianismo. O tratado foi realizado entre a Polícia de Israel e o cardeal católico latino Pierbattista Pizzaballa.
“Devido à complexa realidade de segurança da Operação Leão Rugidor, as cerimônias, incluindo a do Fogo Sagrado, serão realizadas em formato simbólico e limitado. Essa coordenação garante que a liberdade de culto seja mantida em conjunto com nosso dever primordial e compartilhado: a proteção da vida humana”, diz o anúncio.
Ainda segundo Israel, as restrições impostas às celebrações “visam salvar vidas“, uma vez que mísseis e destroços iranianos atingiram a Cidade Velha.
Impedimento a missa
Foi a primeira vez em séculos que a celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi interrompida. A ação realizada por autoridades israelenses impediu a entrada das principais lideranças cristãs no local mais sagrado da fé cristã.
A decisão, tomada em meio à escalada militar no Oriente Médio, provocou reação imediata do Vaticano e de governos europeus, que classificaram o episódio como afronta à liberdade religiosa e um “precedente grave”.
Em comunicado conjunto, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa informaram que os dois religiosos foram interceptados no trajeto e obrigados a retornar.
As instituições classificaram o episódio como um “precedente grave” e denunciaram falta de respeito à sensibilidade de bilhões de fiéis ao redor do mundo, que, neste período, voltam a atenção para Jerusalém.
O Brasil foi um dos países que também condenou a determinação. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) alegou que o episódio representa uma violação da liberdade religiosa e do acesso a locais sagrados em Jerusalém.
“Ao registrar a extrema gravidade de tais ações recentes, o Brasil recorda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, destacou, em nota.


