Brasil critica Israel após cardeal ser impedido de acessar igreja
O governo brasileiro criticou a ação do governo israelense após líderes da Igreja Católica serem impedidos de acessarem igreja em Jerusalém
atualizado
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O governo brasileiro condenou, neste domingo (29/3), a decisão de autoridades israelenses de impedir o acesso do Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, à Igreja do Santo Sepulcro, durante as celebrações do Domingo de Ramos.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que o episódio representa uma violação da liberdade religiosa e do acesso a locais sagrados em Jerusalém.
“Ao registrar a extrema gravidade de tais ações recentes, contrárias ao status quo histórico dos sítios sagrados cristãos e islâmicos de Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto, o Brasil recorda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, disse em nota.
Segundo o Itamaraty, o impedimento ocorreu em uma data considerada central para o cristianismo, o Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa.
A pasta destacou que a restrição ao acesso de autoridades religiosas a um dos principais locais sagrados da fé cristã contraria compromissos internacionais relacionados à proteção de lugares de culto e à liberdade de religião.
O episódio também foi alvo de críticas do Patriarcado Latino de Jerusalém, que classificou a medida como “sem precedentes”.
De acordo com a instituição, esta é a primeira vez em séculos que líderes católicos são impedidos de realizar a celebração na Igreja do Santo Sepulcro, localizada na Cidade Velha de Jerusalém.
Autoridades israelenses justificaram a decisão com base em razões de segurança, diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
Desde o fim de fevereiro, medidas restritivas passaram a limitar aglomerações públicas, inclusive em templos religiosos, como forma de prevenção a ataques e riscos à população.
Ainda assim, líderes religiosos contestaram a medida, afirmando que a celebração havia sido planejada de forma controlada e dentro dos limites estabelecidos. Para o Patriarcado, o impedimento cria um precedente preocupante e desproporcional, com impacto simbólico para milhões de fiéis ao redor do mundo.
A repercussão internacional foi imediata. O presidente da França, Emmanuel Macron, também condenou a ação, afirmando que a decisão se soma ao aumento de restrições próximo ao local.
O caso ocorre em meio ao agravamento das tensões na região, que já haviam levado ao cancelamento de eventos tradicionais da Semana Santa, como a procissão do Domingo de Ramos a partir do Monte das Oliveiras.
