Irã rejeita cessar-fogo e exige fim total da guerra com EUA e Israel
Abbas Araghchi, chanceler iraniano, diz que só aceita fim completo do conflito e nega negociações, apesar de trocas de mensagens com os EUA
atualizado
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira (31/3) que o país não aceitará um cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel, defendendo que qualquer acordo só será possível com o fim total da guerra.
A declaração ocorre em meio à constante intensificação do conflito na região e a relatos de contatos indiretos e diretos entre Teerã e Washington. Segundo Araghchi, mensagens vêm sendo trocadas por diferentes canais, inclusive por meio de países intermediários, mas isso não caracteriza negociações formais.
“Continuo recebendo mensagens diretamente de [Steve] Witkoff, como antes, e isso não significa que estejamos em negociações”, afirmou o chanceler em entrevista à Al Jazeera.
Ele reforçou que todas as comunicações passam pela chancelaria e envolvem também agências de segurança iranianas.
Escalada do conflito
- Em paralelo às declarações diplomáticas, os Estados Unidos ampliaram a presença militar na região.
- Bombardeiros B-52 cruzaram o espaço aéreo iraniano pela primeira vez desde o início da guerra, segundo autoridades militares.
- As aeronaves são capazes de transportar armamentos de longo alcance e são consideradas centrais na estratégia aérea norte-americana.
- O objetivo seria impedir a recomposição do arsenal utilizado no conflito.
- A movimentação ocorre em meio a alertas da Guarda Revolucionária iraniana, que afirmou estar preparada para retaliar ataques e que empresas norte-americanas com atuação no Oriente Médio podem ser consideradas alvos legítimos.
- China e Paquistão apresentaram uma proposta conjunta com cinco pontos para um cessar-fogo, incluindo a interrupção imediata das hostilidades e a abertura de negociações de paz, além da garantia da segurança de civis e rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
“Não temos nenhuma fé nas negociações com os EUA”
Apesar do contato diplomático indireto, o chanceler negou qualquer avanço na via diplomática com os Estados Unidos.
Segundo ele, experiências anteriores reduziram a confiança entre as partes, citando o acordo nuclear de 2015 como exemplo de rompimento por parte de Washington.
“Não temos nenhuma fé de que as negociações com os EUA produzirão resultados. O nível de confiança é zero”, declarou. Araghchi acrescentou ainda que o Irã não vê “honestidade” nas tratativas com os norte-americanos.
Do lado norte-americano, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os Estados Unidos seguem abertos a um acordo, mas ressaltou que estão preparados para continuar pressionando militarmente, em referência à estratégia que classificou como “negociar com bombas”.






