Irã baterá “recorde do Vietnã” em caso de invasão, diz embaixador
Embaixador do Irã no Brasil fez referência aos 58 mil soldados norte-americanos mortos na guerra do Vietnã
atualizado
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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Ghadiri, afirmou que o país está preparado para receber e revidar às agressões de tropas terrestres dos Estados Unidos em território iraniano. A declaração foi feita em coletiva de imprensa em Brasília nesta terça-feira (31/3).
O Oriente Médio enfrenta uma escalada das hostilidades desde o dia 28 de fevereiro, quando Washington e Tel Aviv realizaram um ataque coordenado contra o Irã. A ação culminou na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei e desencadeou em um confronto regional.
“O desejo do povo iraniano é que permitam que os Estados Unidos entrem nas fronteiras terrestres, para que possamos bater o recorde mundial do Vietnã. Nós fomos impostos a um ato de agressão e conforme todos os direitos internacionais, nós temos a legítima posição de autodefesa e essa autodefesa, para nós, não tem limite”, declarou.
A declaração faz referência à guerra do Vietnã, que vitimou cerca de 58 mil soldados americanos. Ghadiri afirmou ainda que o país está preparado por uma “longa guerra”. “Aos amigos do Irã e aos que buscam pela liberdade e justiça, podem ficar felizes e contentes, porque temos capacidade de responder [às agressões] por um longo período“, afirmou o embaixador.
Invasão terrestre americana
Uma invasão terrestre no Irã chegou a ser cogita pelos Estados Unidos nas últimas semanas. O tema, contudo, é visto com preocupação devido a grande rejeição entre a população americana.
Donald Trump tem visto sua popularidade derreter nos últimos meses devido ao papel ativo que os Estados Unidos tem tido em conflitos mundiais. Essa participação vai contra o discurso do republicano, que se elegeu com uma campanha “anti-guerras” e com críticas a seus antecessores pelos gastos empenhados em conflitos.
Ainda nesta semana, o presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou os Estados Unidos por estarem planejando uma ofensiva terrestre “secretamente” enquanto mantém publicamente as negociações diplomáticas.
“O inimigo abertamente envia mensagens de negociação e diálogo, mas secretamente planeja um ataque terrestre. Mal sabem eles que os homens estão esperando a entrada dos soldados terrestres americanos para lançar fogo sobre suas almas e puni-los e a seus parceiros regionais para sempre”, afirmou.
O embaixador do Irã no Brasil também fez críticas a tal postura, que chamou de “enganação“. “Não vamos permitir nem autorizar que o ciclo de guerra aconteça de novo, com um guerra, cessar-fogo, negociação e, por fim, uma guerra de novo”, declarou o embaixador Abdollah Ghadiri ao comentar sobre uma possibilidade de negociação com os EUA.
O representante iraniano também negou que o país esteja envolvido nas negociações promovidas pelo Paquistão em parceria com a China. “Diferentemente das ilusões do presidente dos EUA, nenhuma autoridade iraniana conversou com autoridade americana. Algumas mensagens foram enviadas, e nós respondemos”, disse.
Na manhã desta terça-feira (31/3) os governos da China e do Paquistão apresentaram, em conjunto, um plano de cinco pontos para o cessar-fogo do conflito no Oriente Médio.
