Irã isenta Iraque de restrições no Estreito de Ormuz
Medida anunciada pelo Irã ao Iraque ocorre após novo ultimato de Donald Trump e alivia pressão global por energia
atualizado
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O Irã anunciou neste sábado (4/4) que irá isentar o Iraque das restrições impostas ao Estreito de Ormuz, abrindo uma exceção em meio ao bloqueio que pressiona os mercados globais de petróleo e gás.
A decisão foi divulgada por autoridades iranianas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir um novo ultimato de 48 horas a Teerã, ameaçando “fazer o inferno reinar” no país persa caso a hidrovia não seja reaberta.
Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaghari afirmou que “o país-irmão, o Iraque, está isento de quaisquer restrições”, destacando que as limitações no estreito se aplicam apenas a “países inimigos”.
O governo iraniano também autorizou, separadamente, a passagem de navios com cargas humanitárias e ração animal.
O alívio é considerado o mais significativo desde o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, que intensificou o conflito regional e já deixou mais de mil mortos.
Pressão militar e impasse diplomático
- Ainda neste sábado, Trump voltou a endurecer o tom contra Teerã. Em publicação, afirmou que “o tempo está se esgotando” e reiterou o prazo de 48 horas para o Irã reabrir o estreito.
- O republicano também sugeriu que os EUA poderiam assumir o controle da rota marítima e explorar o petróleo da região, sem detalhar como faria isso.
- Parlamentares de Washington apoiaram a ameaça, afirmando que o governo norte-americano pode recorrer a uma ação militar de grande escala caso não haja avanço nas negociações.
- Apesar disso, países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) resistem à ideia de enviar forças navais para a região, citando divergências estratégicas e a falta de coordenação prévia dos Estados Unidos.
A decisão de poupar o Iraque tem forte peso geopolítico.
O país depende quase integralmente do Estreito de Ormuz para exportar petróleo produzido no sul, especialmente na região de Basra — segunda maior cidade do Iraque, situada no sudeste do país, sendo o seu principal porto e centro comercial — e possui poucas rotas alternativas viáveis.
Além do Iraque, o Irã também permitiu a passagem de navios de países considerados “amigos”, como China, Rússia, Índia e Paquistão, enquanto mantém restrições a embarcações ligadas aos Estados Unidos e seus aliados.






