Irã anuncia exercícios militares conjuntos com Rússia e China

Anúncio foi feito em meio às negociações do Irã com os Estados Unidos sobre a limitação do programa nuclear do país

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra o aiatolá Ali Khamenei - Metrópoles - Foto: Office of the Supreme Leader of Iran via Getty Images

Em meio a uma escalada de tensões e negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, o Irã anunciou a realização de exercícios militares com a Rússia e a China. O primeiro deles deve ocorrer nesta quinta-feira (19/2) no mar de Omã e no norte do Oceano Índico.

“Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (…), bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”, explicou um comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, à agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Segundo agências estatais iranianas, até o fim de fevereiro, a China se junta ao Irã e à Rússia para novos exercícios militares no Oriente Médio. As manobras integrarão um programa chamado “Cinturão de Segurança Marítima”, que visa aumentar a integração na segurança entre os três países e ocorre anualmente desde 2019.

Na terça-feira (17/2), o assessor do Kremlin Nikolai Patrushev afirmou que a Rússia e a China enviaram navios de guerra para perto do Irã para participar dos exercícios militares. Até o momento, o governo chinês não se manifestou publicamente sobre os exercícios militares.

Escalada de tensões

Os exercícios militares anunciados pelo Irã devem elevar ainda mais a tensão do país com os Estados Unidos, já que os dois estão em negociações sobre o programa nuclear iraniano. As tratativas foram motivadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem.

Trump posicionou uma ampla presença militar de navios de guerra e jatos de combate próximos ao território iraniano, em alcance a Teerã em um eventual ataque. Manobras no início do mês levaram a reações pontuais do Exército norte-americano presente no Golfo Pérsico.

As manobras conjuntas Irã-Rússia ocorrem poucos dias após a Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar mais forte do regime do aiatolá Ali Khamenei, ter conduzido exercícios militares no Estreito de Ormuz, parcialmente fechado na terça-feira (17/2) por causa das manobras.

O primeiro encontro para negociações nucleares entre EUA e Irã, no início do mês, em Omã, teve “atmosfera muito positiva”, e os países retomam as tratativas após consultas internas.

As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã mantêm grandes diferenças entre eles. Enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas o programa nuclear.

Na semana passada, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que o país está disposto a “inspeções” da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para mostrar que o programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA.

Trump alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, o líder norte-americano ameaçou tomar “medidas muito duras” contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio — que tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Trump não conseguirá derrubar seu regime e ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está estacionado nas águas do Mar Arábico.

A principal autoridade nuclear iraniana afirmou que o país está disposto a diluir o estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a AIEA, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.

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