Hantavírus: após mortes em cruzeiro, OMS espera novos casos da doença

Três passageiros de um cruzeiro pelo Atlântico morreram por causa do vírus. Autoridades monitoram os casos e acompanham viajantes

atualizado

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Imagem mostra o navio Hondius, Svalbard. Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra o navio Hondius, Svalbard. Metrópoles - Foto: Divulgação/oceanwide

Após a morte de três passageiros de um cruzeiro pelo Atlântico, em decorrência de hantavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nessa quinta-feira (7/5), que podem surgir mais casos de contaminação da doença. No entanto, o órgão espera que o surto se mantenha “limitado” caso sejam tomadas precauções.

Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode ser contraído por contato com roedores e cuja cepa Andes, detectada nos passageiros infectados, é a única conhecida com casos de transmissão entre humanos. A infecção por hantavírus pode provocar uma síndrome respiratória aguda.

O MV Hondius, foco de um alerta sanitário internacional desde o fim de semana, navega em direção a Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde está prevista, a partir de segunda-feira (11/5), a evacuação de cerca de 150 passageiros e tripulantes.

“Até hoje, foram notificados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos”, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Genebra.

Segundo ele, o período de incubação do vírus Andes pode chegar a seis semanas; por isso, “é possível que sejam notificados mais casos”, referindo-se a essa cepa presente na América Latina.

Baixo risco epidêmico

A OMS ressaltou, no entanto, o “baixo” nível de risco epidêmico, já que o vírus é menos contagioso que a covid-19. “Não é o começo de uma pandemia”, garantiu Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação ante epidemias e pandemias da OMS, na primeira coletiva de imprensa desta agência da ONU desde o início da crise.

O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, insistiu em que o surto será “limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e se houver solidariedade entre todos os países”.

Os três passageiros falecidos desde o início do cruzeiro, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde, na África, são um casal de holandeses e uma alemã. Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, na Suíça, na Alemanha e na África do Sul.

Origem desconhecida

A origem do foco continua desconhecida, mas, segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes do início da viagem, já que o primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas já em 6 de abril.

O casal, que havia viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar, provavelmente não se infectou em território chileno, dado que percorreu esse país “num período que não corresponde ao de incubação”, afirmou o Ministério da Saúde chileno.

As autoridades sanitárias argentinas indicaram, por sua vez, que “com a informação fornecida até o momento […] não é possível confirmar a origem do contágio”, de acordo com um comunicado divulgado após uma reunião com funcionários de todo o país.

O hantavírus é endêmico em algumas regiões argentinas, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, com pelo menos cerca de 60 casos por ano nos últimos anos.

Passageiros assintomáticos

Passageiros e tripulantes de cerca de 20 países continuam a bordo do MV Hondius. Segundo a companhia Oceanwide Expeditions, “não há pessoas com sintomas a bordo”.

As autoridades sanitárias rastreiam os deslocamentos dos 30 passageiros que desembarcaram durante escala em Santa Helena, de 22 a 24 de abril, para identificar possíveis doentes ou pessoas com as quais tiveram contato.

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