Google diz estar usando IA para prevenir golpes crescentes na web
Relatório do Google mostra bloqueio de bilhões de conteúdos e o uso do Gemini para barrar fraudes antes de chegarem aos usuários
atualizado
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O Google informou que está usando a sua inteligência artificial, o Gemini, para impedir a veiculação de conteúdos ligados a golpes na internet. Segundo a empresa, a tecnologia permite identificar e bloquear materiais enganosos antes mesmo deles serem exibidos aos usuários.
As informações constam no Relatório de Segurança de Anúncios de 2025, divulgado nesta quinta-feira (16/4). De acordo com o documento, mais de 8,3 bilhões de anúncios que violavam políticas foram bloqueados ou removidos no ano passado e 24,9 milhões de contas foram suspensas.
“Como o Gemini compreende melhor a intenção de um anúncio, conseguimos focar a fiscalização diretamente em agentes mal-intencionados. Essa precisão reduziu as suspensões indevidas de anunciantes em 80% no ano passado”, diz a empresa.
Parte desse volume está ligada a fraudes. Ao todo, cerca de 602 milhões de anúncios associados a golpes foram identificados, além da suspensão de aproximadamente 4 milhões de contas envolvidas nesse tipo de prática.
Além dos anúncios, a empresa também destaca o papel da inteligência artificial na fiscalização de páginas na internet. Em 2025, sistemas baseados em IA contribuíram para a análise de mais de 467 milhões de páginas, de um total superior a 480 milhões que sofreram algum tipo de ação. Em algumas categorias, como conteúdo sexual, a taxa de detecção ultrapassou 97%, segundo o relatório.

Situação no Brasil
No Brasil, foram bloqueados ou removidos 374,8 milhões de anúncios irregulares em 2025, enquanto 1,3 milhão de contas com endereço de faturamento no país foram suspensas por violações de políticas.
Os dados fazem parte do recorte regional do relatório e refletem tanto anunciantes locais quanto estrangeiros que tentam atingir o público brasileiro.
“Não é só o anunciante brasileiro, que está fazendo o seu anúncio para a audiência brasileira, que é fiscalizado. Qualquer anunciante, se ele está em Taiwan, nos Estados Unidos ou na França, mas ele quer que o seu anúncio seja visualizado pela audiência brasileira, ele vai estar sujeito às regras do Brasil”, afirma Priscila Couto, líder de Segurança e Confiabilidade do Google na América Latina.
Segundo o levantamento, o cenário é influenciado por mudanças regulatórias e pelo uso de novas tecnologias, o que exige atualização constante das políticas e dos sistemas de fiscalização.
O relatório também mostra quais foram as violações mais frequentes no país:
- Deturpação (anúncios que enganam sobre o produto ou destino do link)
- Abuso da rede de anúncios (uso de técnicas para burlar sistemas, como páginas comprometidas ou softwares maliciosos)
- Conteúdo sexual (permitido com restrições de idade e formato)
- Jogos de azar (exigem autorização, como licença do Ministério da Fazenda)
- Encontros e acompanhantes (permitidos com limitações de público e conteúdo)
A presença de anúncios ligados a jogos de azar entre os mais frequentes está relacionada às mudanças recentes nas regras para o setor no Brasil. Com a regulamentação imposta pelo Ministério da Fazenda, empresas passaram a poder anunciar esse tipo de serviço, desde que cumpram exigências específicas, como autorização oficial. Segundo Couto, o período de adaptação às novas regras levou a um aumento nas tentativas de anúncios irregulares.
“A regulamentação já veio com essa previsão de que sim, poderia ser um serviço anunciado desde que a empresa tivesse autorização emitida pelo Ministério da Fazenda. (…) a gente ainda teve uma janela curta dessa autorização sendo expedida, mas ainda assim em 2025 nós tivemos um grande impacto de anunciantes que tentaram burlar essa regra.”
