Fujimori x Sanchéz: Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
Keiko Fujimori, de direita, desponta com ligeira vantagem no segundo turno. Últimos votos contados tendem a ser de bastiões de Sanchéz
atualizado
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A candidata de direita às eleições presidenciais no Peru, Keiko Fujimori, desponta nesta segunda-feira (8/6) com uma ligeira vantagem sobre o adversário de esquerda, Roberto Sánchez.
Com a votação do segundo turno encerrada na véspera e mais de 90% das urnas apuradas, ela tinha 50,49% dos votos, contra 49,5% de Sánchez, numa margem apertada que aumenta a incerteza sobre quem será o nono presidente do país numa década.
“Este resultado traduz a divisão do país, mas revela também que nenhuma força política é hegemônica”, disse à agência de notícias AFP o analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP), quando a contagem dos votos começou a indicar uma disputa acirrada.
Os primeiros votos contabilizados foram depositados, em maioria, nas grandes cidades, onde Fujimori tende a ser a favorita dos eleitores.
Sánchez, enquanto isso, encontra maior apoio nas zonas rurais, cujos votos costumam ser apurados por último, junto com os votos do exterior, que, por sua vez, favorecem a candidata de direita.
Duas projeções da noite de domingo, elaboradas pelas empresas Ipsos e Datum Internacional, apontavam uma vitória por cerca de 0,5 ponto percentual para Sánchez.
Quase 27 milhões de peruanos votaram no segundo turno de domingo, que transcorreu sem incidentes. Já o primeiro turno, em abril, fora marcado por falhas e acusações de fraude. Concorriam, então, um recorde de 35 candidatos.
Uma década de crise política
É comum ouvir dos eleitores que a sua escolha foi pelo “menor dos males” entre Sánchez e Fujimori, que é filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori. Predominam, em parte da sociedade, sentimentos de desconfiança em relação à classe política e fadiga frente ao aumento da criminalidade.
“Estamos numa crise que dura mais de uma década”, disse Renzo Masa, estudante de 23 anos.
Aos 51 anos, Fujimori se candidata pela quarta vez consecutiva à presidência, reivindicando o controverso legado do pai, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Para apoiadores, seu governo foi sinônimo de estabilização da economia e a derrota das guerrilhas dos anos 1980 e 1990.
“Votei em Keiko porque representa estabilidade. Infelizmente, não lhe demos oportunidade de governar”, afirmou Luis Bernaola, técnico de eletrônica de 44 anos.
Já Sánchez, ex-ministro de 57 anos, concorre pela primeira vez, apoiado por uma base eleitoral nas regiões andinas, que se sente abandonada pelo poder central em Lima. A dois dias do primeiro turno, ele se tornou réu por supostas irregularidades no financiamento de campanha do seu partido entre 2018 e 2020.
“Precisamos de mudança. O equilíbrio de poderes é importante”, declarou Juan Salas, comerciante de 32 anos.
Foco na segurança pública
A insegurança é a preocupação central dos eleitores. Cerca de 70% dos peruanos esperam que o combate à criminalidade seja a prioridade do próximo presidente, segundo uma sondagem recente.
Lima, a capital peruana, registrou 23 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais do que cinco anos antes. No Brasil, a taxa estimada pelo Atlas da Violência para 2024 foi de 20 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Fujimori diz que pretende mobilizar o exército para apoiar a polícia, desmantelar redes de extorsão e expulsar estrangeiros em situação irregular que tenham sido condenados por crimes. A sua plataforma política inclui ainda apresentar-se como a candidata da prosperidade, em oposição ao que ela descreve como os riscos do “comunismo”.
Sánchez, por sua vez, defende que o combate à criminalidade passa por reestabelecer a confiança nas instituições, reforçar o sistema judicial e reformar a polícia.
Sánchez, herdeiro de Castillo
O candidato de esquerda associa a sua imagem ao ex-presidente Pedro Castillo, detido desde uma tentativa fracassada de dissolver o Parlamento em 2022. Se eleito, Sánchez disse que lhe concederá o indulto.
Inicialmente apoiado por movimentos ultranacionalistas, o candidato moderou o discurso ao longo da campanha, sublinhando o consenso, a estabilidade e o respeito pelas instituições.
Nem Sánchez nem Fujimori dispõem de maioria parlamentar. O futuro presidente terá de formar alianças no mandato a partir de 28 de julho, que substituirá o atual presidente interino, José María Balcázar.
Na economia, o vencedor destas eleições receberá um país economicamente estável, com crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Sete em cada dez trabalhadores, entretanto, atuam na economia informal.
Enquanto Fujimori advoga pelo neoliberalismo, a propriedade privada e a atração de investimentos, Sánchez aposta numa maior presença do Estado na economia e nos aumentos salariais.
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