França investiga ex-professor acusado de estupro de quase 90 crianças

Além dos estupros, o ex-professor é acusado de duas mortes. Ele é suspeito de estupros e agressões sexuais cometidas em vários países

atualizado

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1 de 1 imagem colorida viatura policia frança - Foto: Reprodução

A Justiça francesa lançou nesta terça‑feira (10/2) um amplo apelo a testemunhas após a acusação de um homem de 79 anos, ex‑professor, suspeito de estupros e agressões sexuais cometidas em vários países contra 89 menores entre 1967 e 2022. Ele também é acusado de matar a própria mãe e uma tia décadas atrás.

O procurador de Grenoble (Sudeste da França), Étienne Manteaux, fez questão de tornar público o nome do suspeito: Jacques Leveugle, nascido em 1946 em Annecy. Segundo ele, “o objetivo é permitir que eventuais vítimas se manifestem”, explicou em entrevista coletiva.

O homem havia sido acusado e colocado em prisão preventiva em fevereiro de 2024 por estupros e agressões sexuais agravadas cometidos contra 89 menores ao longo de 55 anos. Depois, foi acompanhado em um rigoroso controle judicial, “que ele não respeitou”. Por isso, voltou a ser preso de maneira preventiva “em abril de 2025”, segundo o procurador.

Os fatos teriam sido cometidos na Alemanha, Suíça, Marrocos, Níger, Argélia, Filipinas, Índia, Colômbia e na França, assim como na Nova Caledônia, território francês no Pacífico, detalhou o procurador.

“Ele percorreu esses diferentes países e, em cada lugar onde se instalava para dar apoio escolar ou atuar como professor, encontrava jovens e mantinha relações sexuais com eles”, afirmou o procurador.

O número de vítimas foi estabelecido a partir de escritos compilados em um pen drive pelo acusado, que menciona “relações sexuais” com menores de 13 a 17 anos, explicou Étienne Manteaux.

O pen drive, no qual documentos escritos foram registrados pelo suspeito, foi descoberto por seu sobrinho, que “se questionava sobre a vida afetiva e sexual” do tio, acrescentou Manteaux.

“Caso singular”

Questionado sobre o fato de não ter revelado o caso no momento da acusação, Manteaux afirmou tratar‑se de um “dossiê um pouco singular; queríamos primeiro assegurar a veracidade dos fatos”.

“Achávamos que conseguiríamos identificar internamente todas as vítimas”, mas “percebemos que estávamos sem saída (…) com alguns nomes e apenas primeiros nomes que aparecem, de 40 anos atrás”. “Não podíamos continuar indefinidamente a procurar”, explicou.

O homem também reconheceu, durante a investigação, os assassinatos de sua mãe e de sua tia.

Em suas “memórias”, ele escreve “ter voluntariamente tirado a vida de duas pessoas”, informou o procurador.

Ele admitiu ter sufocado com um travesseiro sua mãe, que tinha câncer em fase terminal, nos anos 70, e depois sua tia, de 92 anos, nos anos 90, detalhou o procurador.

Sobre a tia, ele justificou que “precisava voltar para Cévennes (Sul da França) e ela lhe suplicava para não partir. Então ele fez a escolha de tirar‑lhe a vida também e, aproveitando seu sono, pegou um travesseiro e a sufocou”, disse o procurador.

Uma investigação distinta da que trata dos estupros e agressões sexuais foi aberta para esses dois fatos, “também totalmente reconhecidos e admitidos” pelo acusado, que “justifica sua ação considerando que gostaria que fizessem o mesmo com ele se estivesse em situação de fim de vida”, acrescentou a mesma fonte.

Leia mais em RFI, parceiro do Metrópoles.

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