França convoca embaixador dos EUA após críticas sobre antissemitismo

Carta enviada a Macron acusou Paris de falhar no combate ao antissemitismo

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O governo francês convocou o embaixador dos Estados Unidos em Paris para prestar esclarecimentos na próxima segunda-feira (25/8), após ele enviar uma carta ao presidente Emmanuel Macron criticando como insuficientes as ações do líder francês no combate ao antissemitismo.

Na mensagem, Charles Kushner — pai de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos Donald Trump — manifestou “profunda preocupação com o aumento dramático do antissemitismo na França” e acusou Paris de “falhar” no combate à violência contra judeus.

“Na França, não passa um dia sem que judeus sejam agredidos nas ruas; e as sinagogas e as escolas sejam depredadas; e os comércios judeus, vandalizados”, escreveu o diplomata.

As declarações foram classificadas como “inaceitáveis” pelo governo francês. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que elas violam o direito internacional, em especial o princípio de não interferência em assuntos internos dos Estados, previsto na Convenção de Viena de 1961, que rege as relações diplomáticas.

A tensão ganhou força após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusar Macron de “alimentar o fogo antissemita” no país, especialmente depois de o francês afirmar que reconhecerá oficialmente a Palestina.

Na carta, Netanyahu pediu a Macron que “substituam a fraqueza pela ação, o apaziguamento pela vontade, e que o façam antes de uma data clara: o Ano Novo Judaico, em 23 de setembro de 2025”. A data coincide com o último dia da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O texto também atribui o crescimento do antissemitismo na Europa às declarações de Macron. “Desde suas manifestações públicas atacando Israel e sinalizando o reconhecimento de um Estado palestino, o antissemitismo aumentou. Após o ataque do Hamas ao povo israelense em 7 de outubro de 2023, extremistas pró-Hamas e radicais de esquerda promovem campanhas de intimidação, vandalismo e violência contra judeus em toda a Europa”, diz o documento.

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