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Eleições 2026Mundo

Flávio cita fraude eleitoral, admite não ter prova e coloca nome para 2030

Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado das eleições, atacou o TSE e afirmou que o PL pedirá cassação da chapa Lula-Alckmin

06/11/2026 19:37, atualizado 06/11/2026 19:41
Renato Pizzutto/Band
Imagem colorida do Flávio Bolsonaro - Metrópoles

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu não ter provas de fraude nas eleições presidenciais, mas afirmou que há suspeitas sobre a apuração dos votos e questionou a legitimidade da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (6/11), o parlamentar também antecipou que poderá disputar a Presidência da República em 2030, caso tenha o apoio do partido.

Desde que fugiu do Brasil e seguiu rumo aos Estados Unidos, Flávio contesta o resultado eleitoral. Na entrevista, afirmou que nem ele nem Lula podem dizer, com 100% de certeza, quem foi eleito presidente. Apesar de reconhecer que não possui provas de irregularidades, sustentou que não teria como obtê-las porque, segundo ele, o assunto seria proibido de investigar no país.

“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou.

Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais. O petista recebeu 64,2 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59,8 milhões do senador (48,21%), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

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O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória também foi seguida por manifestações de reconhecimento e saudações de mais de 100 países. Até mesmo o PL, partido de Flávio, reconheceu oficialmente o resultado das urnas em nota assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.

O senador questionou especialmente a prorrogação do horário de votação na Bahia, determinada pelo TSE após problemas registrados em algumas seções. A medida, no entanto, foi aplicada em todo o país.

O parlamentar também afirmou não haver explicação matemática para o aumento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, argumento utilizado por ele para sustentar a hipótese de manipulação. Os dados eleitorais, porém, mostram que ambos os candidatos ampliaram suas votações na segunda etapa: Lula recebeu 10,3 milhões de votos a mais, enquanto Flávio teve acréscimo de 3,7 milhões.

Questionado diretamente sobre a ausência de provas, o senador voltou a responsabilizar as instituições eleitorais e afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral estaria “dominado” pelo governo. O TSE é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e tem André Mendonça, também indicado pelo ex-presidente.

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O senador Flávio Bolsonaro
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O senador Flávio Bolsonaro em sua chegada aos Estados Unidos
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O senador Flávio Bolsonaro em sua chegada aos Estados Unidos

Joe Raedle/Getty Images
O senador Flávio Bolsonaro
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O senador Flávio Bolsonaro

Wagner Meier/Getty Images
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Wagner Meier/Getty Images

Pedido de cassação e 2030

Apesar de questionar publicamente a apuração, Flávio afirmou que a estratégia jurídica do PL não será baseada em uma acusação de fraude na contagem dos votos. Segundo ele, o partido pretende pedir a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por abuso de poder econômico.

O argumento deve se concentrar em medidas anunciadas ou implementadas pelo governo durante o período eleitoral, como o aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e a promessa de repasse de R$ 5 mil a microempreendedores individuais (MEIs).

Ao comentar a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência em 2030, Flávio afirmou que todos têm o direito de apresentar seus nomes. O senador, no entanto, também admitiu a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto.

“Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar”, declarou.

Ele condicionou, porém, uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro à recuperação dos direitos políticos do pai. “Se ficar elegível, é o meu candidato”, afirmou.

Fuga

Flávio evitou explicar como organizou a viagem aos Estados Unidos, apesar de afirmar que saiu do Brasil por iniciativa própria. A versão contrasta com a declaração de Jason Miller, assessor da Casa Branca, ao Metrópoles, de que providenciou o jatinho usado pelo senador e sua família.

Em entrevista ao The New York Times, Flávio também negou ajuda de governos e disse que pretende regularizar sua situação migratória. Ele afirmou que continuará exercendo o mandato de senador, inclusive virtualmente, e que não pretende retornar ao Brasil enquanto considerar que não terá um processo justo.