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As tarifas adicionais sobre as importações de aço e de alumínio, de 25% e 10%, respectivamente, que serão impostas pelos Estados Unidos causaram indignação pelo mundo. Países europeus e o Brasil reagiram ao anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, feito nessa quinta-feira (1º/3). Ele usou sua conta no Twitter, na manhã desta sexta (2), para defender as medidas.

“Quando um país tarifa produtos americanos em, digamos, 50%, e nós não tarifamos o mesmo produto que entra nos EUA, não é justo nem inteligente. Em breve, vamos instituir taxas recíprocas, assim vamos cobrar o mesmo que eles cobram de nós. Não temos escolha”, justificou Trump na rede social. “Nós devemos proteger nosso país e nossos trabalhadores. Nossa indústria de aço está em má situação. Se você não tem aço, você não tem um país!”, continuou. Detalhes sobre as medidas devem ser divulgados na próxima semana, segundo o governo americano.

Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) do Brasil afirmou que a restrição comercial afetará as exportações brasileiras de ambos os produtos e pode resultar em contestação brasileira nos organismos internacionais.

“Na última terça-feira (27/2), o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, esteve reunido em Washington com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, justamente para reiterar que o aço brasileiro não representa ameaça à segurança nacional norte-americana, e que as estruturas produtivas siderúrgicas de ambos os países são complementares (…). De sua parte, o secretário Ross afirmou disposição para buscar soluções positivas e que eventual decisão de aplicação da sobretaxa poderia ser recorrida pelos países interessados.”, afirmou o MDIC no texto.

Retaliação
Outros países também já se pronunciaram contra a medida. A ministra da Economia da Alemanha, Brigitte Zypries, afirmou que a Europa vai retaliar caso os Estados Unidos confirmem tarifas contra aço e alumínio. “Isso gerará problemas no comércio global”, comentou ela.

“Caso Trump transforme suas palavras em ações, a Europa responderá de maneira adequada”, afirmou a ministra alemã. Brigitte declarou ser “incompreensível” que as importações de aço europeias possam representar ameaça à segurança nacional dos EUA. “Alguém que fala tanto sobre comércio justo, como o presidente Trump, não deveria optar por tais medidas injustas”, pontuou.

O ministro de Finanças da França, Bruno Le Maire, foi o porta-voz de seu país acerca do assunto. Ele disse nesta sexta que as medidas de Trump “são inaceitáveis”. “Elas teriam um impacto enorme na economia europeia e nas empresas francesas”, declarou.

“Grande preocupação”
Na China, o Ministério do Comércio não comentou o anúncio norte-americano, mas expressou “grande preocupação” após o Departamento de Comércio dos Estados Unidos criticar a atuação do país asiático no mercado internacional de aço.

De acordo com órgãos dos EUA, o aumento da produção estrangeira de aço, principalmente a chinesa, derrubou os preços e afetou os produtores americanos. O ministério chinês ressaltou que tem cumprido com suas obrigações nas transações internacionais e apela para que Washington resolva as disputas por meio de negociações.

A China tem sido questionada internacionalmente por EUA, Europa e vários outros países devido ao fato de o país asiático ter subsidiado suas exportações e dificultado a entrada de produtos, violando assim os compromissos de livre mercado.

(Com informações da Agência Estado)