EUA diz não ter interesse em aumentar tensão diplomática com o Brasil
Ao Metrópoles, Departamento de Estado dos EUA combina críticas a Lula com sinalização de respeito ao próximo governo

Em meio às tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, o governo dos Estados Unidos afirmou que o agravamento da crise com o Brasil “não interessa” aos norte-americanos e ressaltou que pretende preservar a relação bilateral.
Em posicionamento enviado ao Metrópoles, um alto funcionário do Departamento de Estado disse que os EUA respeitam o povo brasileiro e qualquer governo escolhido livremente em eleições “livres e justas”.
“Dito isso, essa não é a situação que nos interessa. Como afirmei, atribuímos grande importância às relações com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil; e temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou.
A declaração foi dada após questionamentos sobre a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana em Brasília e as recentes medidas adotadas pelos dois países.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO funcionário destacou que os Estados Unidos consideram a relação com o país uma das mais importantes da região e citou os investimentos, o comércio e os vínculos culturais entre as duas nações.
“Essa é uma das relações mais importantes que mantemos na região”, afirmou.
Agrément em questão
- A sinalização de Washington ocorre em meio a uma crise provocada, entre outros fatores, pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément a Daniel Perez, por Donald Trump para comandar a embaixada americana em Brasília.
- Segundo o Departamento de Estado, o Brasil não apenas adiou a análise da indicação, como teria dado sinais de que o processo poderia ficar para depois das eleições presidenciais de outubro.
- O agrément é o consentimento dado pelo país que receberá um embaixador antes que ele seja oficialmente nomeado para a missão.
- Na prática, embora os Estados Unidos possam escolher quem desejam enviar ao Brasil, o governo brasileiro precisa concordar com o nome indicado para que o diplomata possa assumir a chefia da representação.
Além do impasse envolvendo Perez, o Departamento de Estado citou outros episódios recentes como parte do contexto da deterioração da relação entre os dois países.
“Basicamente, enfrentamos uma situação em que nossos diplomatas estavam sendo impedidos de realizar atividades rotineiras e comuns entre os dois países”, afirmou.
Uma reportagem do Washington Post havia revelado que representantes do governo americano planejavam viajar ao país para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral antes das eleições.
Visto de embaixadora foi revogado
Em meio ao impasse, o governo de Donald Trump revogou, na terça-feira (4/8), o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a medida foi tomada em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément a Perez.
Washington afirmou que adotou uma medida recíproca para deixar claro que eventuais restrições a diplomatas americanos não seriam respondidas de forma unilateral.
“Se houver restrições aos diplomatas de um dos lados, elas serão retribuídas”, afirmou o funcionário.
O governo Lula não estabeleceu prazo para responder ao pedido. Segundo fontes do Planalto, a tendência é que o processo não seja concluído antes das eleições presidenciais de outubro.
EUA dizem respeitar resultado das urnas
Ao final da manifestação enviada ao Metrópoles, o Departamento de Estado procurou reforçar que a atual crise não representa o cenário desejado por Washington.
Além de afirmar que respeitará o governo escolhido pelos brasileiros, o funcionário destacou que os Estados Unidos já mantiveram relações bem-sucedidas com administrações brasileiras de diferentes orientações políticas.
“Temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou.











