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Mundo

EUA suspende Microsoft e outras empresas de programa ligado ao green card

Medida do governo Trump interrompe novos pedidos e processos em andamento no PERM e amplia ofensiva contra contratação de estrangeiros

08/10/2026 15:43
Tasos Katopodis/Getty Images
Vice-presidente dos EUA JD Vance

O governo dos Estados Unidos (EUA) suspendeu, nesta quinta-feira (8/10), a participação da Microsoft, Adobe e outras grandes empresas de tecnologia em um programa usado como etapa para a obtenção de residência permanente por trabalhadores estrangeiros. A medida faz parte da ofensiva do governo de Donald Trump contra o uso de programas de imigração por empresas norte-americanas.

Além das duas companhias, foram suspensas do programa empresas como Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services (TCS), Wipro, HCL e Capgemini. A decisão foi anunciada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, e pelo secretário do Trabalho, Keith Sonderling.

“Graças a uma investigação em andamento, decidimos suspender o programa PERM para a Microsoft, o que significa que eles não poderão mais obter esses H-1Bs e solicitar o status de residente permanente nos Estados Unidos da América”, afirmou Vance.

O programa em questão é o PERM, sigla em inglês para certificação permanente de trabalho. O mecanismo permite que empresas patrocinem trabalhadores estrangeiros em processos que podem levar ao green card.

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Com a suspensão, o governo dos EUA não aceitará novos pedidos nem dará andamento às solicitações que estão em análise envolvendo as empresas atingidas.

Pressão por trabalhadores norte-americanos

Vance afirmou que o objetivo da medida é fazer com que as empresas priorizem a contratação de profissionais dos Estados Unidos. Segundo ele, o programa de vistos H-1B, utilizado para contratar trabalhadores estrangeiros qualificados, teria sido alvo de abusos.

“Nossa mensagem para a Microsoft é: vocês são uma grande empresa americana, mas precisam contratar grandes trabalhadores americanos”, disse.

O vice-presidente também acusou empresas de utilizarem trabalhadores estrangeiros com salários inferiores aos pagos a profissionais americanos. As alegações fazem parte das justificativas apresentadas pelo governo para ampliar a fiscalização dos programas migratórios.

“Vocês não podem demitir trabalhadores americanos e substituí-los por servos estrangeiros vinculados” ressalta.

Sonderling afirmou que a suspensão também alcança grandes empresas de terceirização de tecnologia. Segundo ele, não serão aceitos novos pedidos de certificação permanente de trabalho nem processados pedidos pendentes relacionados às companhias atingidas.

Empresas atingidas

A suspensão anunciada pelo Departamento do Trabalho envolve:

  • Microsoft
  • Adobe
  • Cognizant
  • Infosys
  • Tata Consultancy Services (TCS)
  • Wipro
  • HCL
  • Capgemini

Segundo o governo americano, há suspeitas de fraude e de uso inadequado dos programas de imigração por parte de empresas. As autoridades também afirmam que existem investigações federais em andamento envolvendo Microsoft e Adobe.

Universidades também entram na mira

A ofensiva não ficou restrita às empresas de tecnologia. O governo americano também anunciou investigações sobre nove universidades por suspeitas relacionadas ao uso do visto J-1, destinado a intercâmbios acadêmicos e culturais.

Entre as instituições citadas estão Harvard, Yale e Stanford. Segundo as autoridades, as universidades são investigadas sob a suspeita de utilizar trabalhadores ou estudantes estrangeiros de maneira a reduzir custos trabalhistas. Intimações já teriam sido enviadas.

“É aqui que algumas das universidades mais de elite da América trazem estrangeiros novamente, para reduzir os salários dos residentes americanos. Agora, há nove universidades em particular que acreditamos que merecem uma investigação. Essas universidades são Harvard, Yale, Stanford, Brown, a Universidade de Pittsburgh, UC Davis, Caltech, Arizona State e MIT”, afirmou o vice-presidente dos EUA.

A nova medida amplia a política do governo Trump de restringir mecanismos legais de entrada e permanência de estrangeiros nos Estados Unidos. A ofensiva, que também inclui mudanças nos programas H-1B e J-1, passou a atingir não apenas imigrantes em situação irregular, mas empresas e instituições que utilizam programas voltados a profissionais qualificados, pesquisadores e estudantes estrangeiros.