EUA: eleições estaduais testam força republicana e oposição democrata

66 das 100 maiores cidades dos EUA são filiadas ao Partido Democrata e 23 ao Partido Republicano. Eleições deste ano podem mudar o cenário

atualizado

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Mapa dos estados unidos com os símbolos dos partidos democrata e republicano
1 de 1 Mapa dos estados unidos com os símbolos dos partidos democrata e republicano - Foto: Arte/Metrópoles

Os Estados Unidos são um país bipartidário, ou seja, tem dois partidos: o Democrata e o Republicano. No entanto, com a ascensão de Donald Trump, a polarização atingiu um de seus pontos mais altos.

Nesse cenário, treze capitais estaduais realizarão eleições para prefeito e duas para governadores ainda em 2025. Esses pleitos serão a resposta esperada por democratas e republicanos dos impactos do primeiro ano do governo de Donald Trump.

Atualmente os prefeitos de 66 das 100 maiores cidades do país são filiados ao Partido Democrata. Já os republicanos ocupam 23 cargos de prefeito. Já em relação aos governadores, o cenário muda, 27 deles são republicanos e 23 são democratas.


Candidatos à Prefeitura de Nova York

A eleição para prefeito de Nova York, no dia 4 de novembro.

  • Zohran Mamdani, pelo Partido Democrata;
  • Curtis Sliwa pelo Partido Republicano;
  • Eric Adams (atual prefeito) de forma independente;
  • Jim Walden de forma independente.

O candidato Zohran Mamdani obteve quase 50% dos votos dos democratas e venceu as primárias para concorrer ao cargo de prefeito da maior cidade estadunidense.

Caroline Lima Ferraz, doutoranda e professora no curso de Direiro internacional da UNICEPLAC, explica que a chancela à candidatura de Zohran Mamdani gerou reações do Presidente Trump, visto que o democrata é muçulmano, indiano-americano e já se posicionou contra o conflito na Faixa de Gaza. Ele ainda defende tarifa zero para transporte público, creches universais, congelamento de aluguéis e outros.

“O Estado de Nova York costuma ser fortemente liberal e a cidade de Nova York não é diferente. As eleições serão um grande desafio para o partido Republicano, que indicou Curtis Sliwa. Pelo histórico do Estado de Nova York e da Cidade de Nova York, o candidato democrata é o principal nome para vencer as eleições”, destaca Carolina.

A professora ressalta que desde que o Partido Republicano venceu na Câmara e no Senado, nas últimas eleições, a vitória de um candidato democrata em NYC “deve ser vista como uma resposta do partido ao avanço da outra legenda”.

“O Presidente Trump vociferou palavras de ordem na tentativa de intimidar e desqualificar a vitória de Zohran Mamdani nas primárias. Isso pode ser um indício de que o Partido Republicano vê com cautela a candidatura do democrata”, explica.

O internacionalista especialista em Partido Democrata, Emanuel Assis, reafirma que as chances de uma vitória republicana na cidade de Nova Iorque é baixíssima, mas não nulas, uma vez que a cidade já foi administrada pelos republicanos no passado.

Emanuel ressalta que os fatores dessas eleições, de alguma maneira, podem facilitar a vitória dos democratas. O candidato republicano é pouco conhecido e já perdeu a última eleição para prefeito na cidade para o atual chefe do executivo, Eric Adams. Ele vai disputar a reeleição como candidato independente após o Partido Democrata ter desistido de sua candidatura por conta de uma série de escândalos de corrupção na cidade.

“Tudo isso soma-se a uma indicação que vem sido vista como uma verdadeira renovação para os democratas. Zoharan é o primeiro muçulmano a disputar uma eleição municipal na história dos EUA. Além disso ele se declara socialista e tem uma agenda muito progressista para sua campanha, como congelar os aluguéis, transporte público com tarifa zero e criação de mercados públicos em Nova Iorque”, revela Emanuel.

Segundo o especialista, a candidatura dele tem aumentado o engajamento do eleitorado na cidade, principalmente entre os que já se identificam tradicionalmente com o Partido Democrata. “A sua indicação pode ser considerada uma vitória da base do partido, formada por trabalhadores e jovens, e principalmente dos movimentos de esquerda, que defendem uma ruptura com as candidaturas mainstream. Tudo isso pode se refletir nas urnas em novembro”, diz Emanuel.

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Manifestantes ocupam ruas em Los Angeles
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Defensores dos direitos transgêneros se manifestam contra a proibição da Suprema Corte a cuidados médicos que afirmem gênero para jovens
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Estudantes estrangeiros protestando contra a medida de Trump
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Reflexo do governo federal

Caroline Ferraz explica que, em 2025, serão realizadas eleições estaduais em New Jersey e Virgínia, e eleições municipais em inúmeras cidades importantes. Em Nova Jersey, o republicano Jack Ciattarelli vai enfrentar a democrata Mikie Sherrill. Na Virgínia, as candidatas serão Winsome Earle-Sears, pelo Partido Republicano, e Abigail Spanberger, pelos democratas.

De acordo com Emanuel, as eleições municipais das grandes cidades esse ano (Nova York, Boston e Pittsburgh) não serão um termômetro, já que são redutos tradicionalmente democratas. Em Nova Jersey também não, já que é um estado que possivelmente continuará azul (democrata) na próxima eleição.

O especialista destaca que poucas pessoas têm falado até o momento, mas que vale ficar atento às eleições para o governo da Virgínia, um estado que atualmente é roxo. Nos EUA, o Partido Democrata é representado pela cor azul e o Republicano pela cor vermelha, como a Virgínia votou para presidente com os democratas e para governador com os republicanos, na tradição política norte-america, ele passa a ser chamado de roxo, até a redefinição.

A vice-governadora do estado, Winsome Earle-Sears, terá o desafio de representar os republicanos em um estado que foi altamente afetado pelos cortes orçamentários de Trump, principalmente no funcionalismo público. “Ao que parece, o eleitorado está insatisfeito com isso e a democrata Abigail Spanberger vai surfar nessas questões para tentar atrair os votos dessas pessoas. Definitivamente o maior termômetro que veremos esse ano”, explica Emanuel.

“O grande termômetro, que será determinante não só para mostrar a satisfação ou insatisfação do eleitorado com Trump. Mas também para remodelar o jogo de poderes no legislativo, fundamental para a governabilidade do presidente, será em 2026, nas eleições de meio de mandato”, destaca Emanuel.

Caroline destaca que o Partido Democrata é uma oposição expressiva nos Estados Unidos e que diante do cenário das eleições estaduais previstas é provável que o número de governadores se mantenha. Mas o fortalecimento do Partido Democrata como uma oposição coesa depende da vitória nos dois estados (New Jersey e Virgínia) e nas grandes cidades dos EUA.

Reestruturação partidária

Emanuel Assis explica que o Partido Democrata está em uma fase de reestruturação que tem demorado mais do que o esperado. As disputas em torno de nomes e agendas ainda não estão claras. Segundo ele, em alguns locais, como em NY, a esquerda do partido, que tem ficado em um discurso de renovação, parece estar ganhando essa disputa, principalmente com a indicação de Zohran.

“Em outros, os moderados seguem apostando apenas no discurso anti-Trump, com a mesma agenda de sempre, mas também tem tido sucesso, como em LA e agora na Virgínia. Em termos de oposição, o único consenso até agora é que o espaço para barrar as políticas do presidente republicano serão os estados e as cidades. Mas a agenda ainda segue sendo construída em torno de muitas disputas”, explica Emanuel.

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