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Espriella politiza ajuda após terremoto e reforça guinada à direita

Decisão ocorre em meio à aproximação do governo de Espriella com países de direita e gera questionamentos sobre critérios adotados

Abelardo De La Espriella
Espriella politiza ajuda após terremoto e reforça guinada à direita

Após os terremotos que atingiram a Colômbia nesta semana, o governo de Abelardo de la Espriella decidiu restringir a ajuda internacional aceita pelo país a quatro governos: Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel. A escolha chama atenção pelo alinhamento político dos países com a direita e, em especial, com o presidente Donald Trump.

Embora Espriella negue que a seleção tenha sido motivada por razões políticas ou ideológicas, e sustente que os países escolhidos têm condições de oferecer o tipo de assistência considerado prioritário neste momento, a lista chama atenção pelo perfil dos governos autorizados a atuar no socorro às vítimas.

Entre os países escolhidos estão os Estados Unidos, principal aliado internacional do atual presidente colombiano, El Salvador, governado por Nayib Bukele; Equador, de Daniel Noboa; e Israel, comandado por Benjamin Netanyahu.

Os quatro governos mantêm posições alinhadas à direita em temas centrais da política internacional e têm relações próximas com Washington.

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A decisão se alinha à guinada à direita que Espriella tem buscado dar à Colômbia desde que assumiu a presidência do país. O líder, que foi eleito com um discurso alinhado ao de líderes de direita, como Donald Trump, focado em uma agenda de segurança pública mais dura e propostas de viés liberal na economia.

O colombiano foi eleito presidente em junho e assumiu a liderança do país no último dia 7 de agosto — três dias antes de um terremoto de grande magnitude atingir a Colômbia.

A chegada de Espriella ao poder representa um rompimento com o governo anterior, de Gustavo Petro, marcado por uma política externa mais próxima de governos de esquerda e por críticas frequentes à atuação de Israel e Trump.

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Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia para o mandato 2026-2030
Terremoto na Colômbia
Colômbia: 273 morreram após terremoto; 379 estão desaparecidos
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Colômbia: 273 morreram após terremoto; 379 estão desaparecidos

Gabriel Aponte/Getty Images
Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia para o mandato 2026-2030
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Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia para o mandato 2026-2030

Camilo Moreno/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images)
Terremoto na Colômbia
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Terremoto na Colômbia

Samir Rojas/Getty Images

Quem é Espriella

  • Abelardo de la Espriella é um advogado e político colombiano de direita que chegou à Presidência da Colômbia em agosto de 2026.
  • Conhecido pelo discurso conservador e por posições firmes em temas como segurança pública, combate ao crime e política econômica, construiu sua carreira antes de entrar na política como advogado de destaque no país.
  • Sua campanha presidencial foi marcada pela defesa de uma guinada à direita na Colômbia, com propostas voltadas ao endurecimento do combate à criminalidade, ao fortalecimento das forças de segurança e à redução da intervenção estatal na economia.
  • Espriella também adotou uma postura mais alinhada a governos conservadores da região e defendeu o estreitamento das relações com os Estados Unidos.

Terremotos na Colômbia e a ajuda aceita por Espriella

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia durante a manhã da última segunda-feira (10/8). O epicentro do sismo foi próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó. De acordo com informações até a noite dessa quinta (13/8), mais de 270 pessoas estavam registradas como mortas.

Em meio ao desastre causado pelo sismo, o governo colombiano anunciou que solicitou o apoio de equipes especialistas em resgate de apenas quatro países. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12/8) pelo diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo.

Outros países, inclusive o Brasil, não enviar ajuda humanitária para a Colômbia, como medicamentos e alimentos. As equipes de regastes, contudo, aquelas responsáveis por auxiliar na busca por desaparecidos e resgate de corpos, fica restrita apenas às quatro nações anunciadas pelo governo colombiano.

De acordo com Tamayo, a escolha por Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel é justificada pelo fato de que as nações cumprem “protocolos internacionais” e que devem revezar os trabalhos junto de equipes colombianas, ignorando o fator político e ideológico que relaciona os quatro países.

Com Espriella eleito sob um discurso de oposição ao antecessor de esquerda, a escolha dos países autorizados a prestar ajuda à Colômbia após os terremotos ganha uma dimensão que vai além da resposta humanitária e pode ser interpretada como um sinal das prioridades internacionais do novo governo.

Governo nega motivação política

Apesar da escolha dos quatro países, o governo colombiano nega critérios ideológicos na definição das equipes estrangeiras autorizadas a atuar nas buscas. O chanceler Omar Bula Escobar declarou que a prioridade é coordenar as ofertas internacionais e direcionar os recursos às áreas mais afetadas.

Segundo a UNGRD, as equipes de resgate deverão ser certificadas internacionalmente e seguir os protocolos do INSARAG.

Diante dos danos, o novo mandatário colombiano decretou emergência econômica na quarta-feira (12/8), permitindo medidas de apoio às vítimas e reconstrução. Entre as ações estão subsídios de aluguel, benefícios fiscais e financeiros e alívio temporário em serviços públicos.

O governo também criou o Fundo Milagro, destinado a financiar a reconstrução de hospitais, escolas, casas, estradas e aeroportos.

Crise testa novo governo

O terremoto se tornou o primeiro grande teste de Espriella, que assumiu a Presidência em 7 de agosto, apenas três dias antes do desastre.

Além da resposta à tragédia, o governo terá de lidar com os custos da reconstrução em meio à pressão sobre as contas públicas. O déficit fiscal colombiano chegou a 6,4% do PIB em 2025, com previsão de 7,8% para este ano.

No cenário atual, então, a decisão de limitar as equipes estrangeiras a quatro países é vista como um dos primeiros sinais da orientação externa do novo governo. Embora Espriella sustente que a escolha foi técnica, a proximidade política com os países selecionados alimenta a percepção de uma aproximação com governos de direita, especialmente os Estados Unidos.