Emirados Árabes Unidos rejeitam acusações do Irã em reunião dos Brics

Reunião dos Brics na Índia virou palco de discussões e acusações entre Irã e Emirados Árabes Unidos, provocadas pela guerra no Oriente Médio

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra chanceleres dos Brics - Metrópoles - Foto: Divulgação/Ministério das Relações Exteriores da Índia

Os Emirados Árabes Unidos usaram a Cúpula de ministros das Relações Exteriores dos países que compõem o Brics para acusarem um dos membros do bloco, o Irã, de realizar atentados terroristas contra o país. O encontro, afetado diretamente pela guerra no Oriente Médio, aconteceu começou na quinta-feira (14/5).

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o representante do país no evento, vice-chanceler Khalifa Shaheen Al Marar, rejeitou “às alegações do Irã e às tentativas de justificar os ataques terroristas iranianos”.

“Apesar das inúmeras resolução e condenações internacionais e regionais emitidas, o Irã continuou seus ataques terroristas contra os Emirados Árabes Unidos e outros países da região, em claro desrespeito ao consenso internacional”, disse o vice-chanceler emiradense no encontro com autoridades do Brics.

Além disso, Khalifa Shaheen Al Marar afirmou que o bloqueio parcial do Irã, e os ataques contra navios no Estreito de Ormuz, é um instrumento de “pressão econômica” e “chantagem”, que representa um ato de pirataria. Desde o início da guerra, a rota marítima, por onde cerca de 20% do petróleo produzido no mundo é transportado, enfrenta restrições de trânsito impostas por forças iranianas.

No comunicado — onde “ataques terroristas” são citados 7 vezes em um texto de 11 parágrafos —, o vice-ministro dos Emirados Árabes Unidos ainda fez um alerta. Segundo Shaheen Al Marar, o país se reserva “ao direito pleno e legítimo de defender sua soberania e integridade territorial e de garantir a proteção de seus cidadãos”.

Conforme revelou o Metrópoles, clima no encontro anual não foi dos melhores. À reportagem, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse que o representante emiradense foi o responsável por trazer assuntos relacionado à guerra para a pauta da reunião.

Nas palavras de Araghchi, o lado iraniano não pretendia entrar na discussão para “preservar a unidade e a coesão do Brics”. Mas, diante das declarações de Khalifa Shaheen Al Marar, ele se viu obrigado a “explicar a situação”.

“Essa situação foi verdadeiramente lamentável, e eu me vi obrigado a explicar completamente ali, para os membros da reunião e para os países presentes no Brics, que normalmente não abordamos essas questões, mas, afinal, tudo tem limite”, disse o chanceler iraniano. “Os Emirados, nesta guerra, ficaram ao lado dos Estados Unidos e de Israel”, completou.

Pano de fundo

Apesar da parceria no bloco dos Brics, a relação entre Irã e Emirados Árabes Unidos se deteriorou após o início da guerra no Oriente Médio.

Horas depois dos primeiros ataques norte-americanos, forças iranianas cumpriram uma promessa que autoridades do país haviam feito, e lançou ataques contra países vizinhos. Segundo Teerã, as ofensivas visavam instalações norte-americanas instaladas em tais nações.

Os países atacados, porém, contestam as alegações do Irã, e afirmam que diversas estruturas civis também foram alvejadas.

No caso dos Emirados Árabes Unidos, o calculo é de que cerca de 3 mil mísseis e drones tenham sido interceptados, vindos do Irã. A maioria deles teria atingido instalações civis, não ligadas aos EUA.

Um dia antes do encontro dos Brics, realizado na Índia, os dois países entraram em rota de colisão novamente.

O motivo foi uma suposta “viagem secreta” do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Emirados Árabes Unidos. Segundo o gabinete do premiê israelense, ele teria se encontrado com o presidente emiradense, sheikh Mohamed bin Zayed, na ocasião.

Apesar de Abu Dhabi negar a visita de Netanyahu, a informação irritou Teerã, que viu o caso como um gesto de cumplicidade do país vizinho com os EUA e Israel.

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