FED indica ritmo menor de alta da taxa de juros nos EUA

É o que consta da ata da última reunião do banco central americano, mas aumento de 0,5 ponto percentual deve ocorrer em dezembro

atualizado 23/11/2022 19:00

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Ainda que não caia, o ritmo do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos pode desacelerar. Mesmo assim, deve ser mantida a elevação de 0,5 ponto percentual, prevista para dezembro. É isso o que sinaliza a maior parte dos integrantes do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, segundo a ata da reunião do órgão, em 1º novembro, divulgada nesta quarta-feira (23/11), em Washington.

Na reunião realizada no início do mês, o FED aumentou a taxa de referência em 0,75 ponto percentual pela quarta vez consecutiva. Ela atingiu entre 3,75% a 4%. Com isso, a instituição ampliou a série de apertos monetários mais agressiva desde os anos 1980 registrada no país. Um remédio, na verdade, compatível com a inflação mais alta registrada em 40 anos.

Vários integrantes do órgão, no entanto, ponderaram que a redução do ritmo das elevações permitiria que os banqueiros centrais avaliassem o progresso efetivo de suas metas. “As defasagens e magnitudes incertas, associadas aos efeitos das ações de política monetária sobre a atividade econômica e a inflação, estão entre as razões citadas sobre a importância de tal avaliação”, registra a ata.

A taxa básica de juros dos EUA, observa o economista Marcio Holland de Brito, da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, caminha para os mesmo patamares pré-crise de 2007. Para ele, mesmo reduzindo velocidade de novas altas, são níveis elevados, em especial quando se espera por uma recessão nos EUA em 2023.

“Na minha visão, esse movimento de normalização da política monetária do FED não favorece o crescimento no curto prazo, até porque ele ainda está em curso e temos de considerar efeitos defasados do processo”, afirma. “Por outro lado, uma vez que o ciclo de alta diminua, isso permite um alinhamento da Selic, a taxa básica de juros brasileira, rumo a um patamar mais estável no médio prazo. E isso pode ajudar na estabilidade da economia no Brasil.”

 

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