Brexit é obstáculo à recuperação da zona do euro, diz Draghi
Segundo o presidente do Banco Central Europeu, a saída do Reino Unido da União Europeia e outras incertezas geopolíticas são principais barreiras da zona do euro

A zona do euro e os mercados financeiros conseguiram resistir razoavelmente bem às incertezas criadas pela decisão do Reino Unido de votar por sua saída da União Europeia, no plebiscito do mês passado, afirmou nesta quinta-feira (21/7) o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, no discurso introdutório da coletiva de imprensa sobre a reunião de política monetária do BCE.

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Ver todasO BCE avalia que os obstáculos à recuperação econômica do BCE incluem a vitória do chamado Brexit e outras incertezas geopolíticas, assim como o crescimento contido dos mercados emergentes, os ajustes de balanço que precisam ser feitos numa série de setores e o lento ritmo de implementação das reformas estruturais, segundo Draghi.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Neste contexto, os riscos à perspectiva de crescimento da zona do euro continuam inclinados para baixo”, disse o chefe do BCE.
Por outro lado, Draghi notou que as condições financeiras continuam amplamente favoráveis, o que contribui para a criação de crédito. “Elas (as condições) apoiam nosso cenário básico de uma recuperação econômica em andamento e aumento nas taxas de inflação,” disse.
Draghi reiterou a previsão de que a inflação na zona do euro continuará em níveis bem reduzidos nos próximos meses, mas deverá ganhar força em 2017 e 2018, e a leitura de que o crescimento tem sido sustentado pela demanda doméstica. Para ele, o Brexit parece não ter tido grande impacto na perspectiva de inflação e é preciso considerar os possíveis efeitos do rompimento do Reino Unido com a UE de forma cautelosa.
De acordo com Draghi, o BCE não dispunha de informações suficientes para tomar decisões sobre novas medidas de estímulos hoje, mas estará em melhores condições de reavaliar sua postura nos próximos meses. Ele voltou a garantir, no entanto, que o BCE usará todos os instrumentos de que dispõe, se preciso.
Draghi avaliou ainda que as medidas que o BCE vem implementando desde junho de 2014 melhoraram significativamente as condições de crédito, mas ressaltou que a implementação de reformas estruturais precisa ser intensificada. A postura fiscal da zona do euro, acrescentou ele, deverá ser levemente expansionista em 2016.



